Várias centenas de detidos em protestos na Rússia

Os números dos detidos diferem. A Associated Press afirma que foram 300; a CNN, que cita meios de comunicação independentes russos, dá conta de 1018.

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Manifestação em Krasnodar, Rússia Reuters/STRINGER

Pelo menos 300 pessoas foram detidas em protestos por toda a Rússia neste domingo, escreve a agência norte-americana Associated Press. Os meios locais elevam o número para 839. A CNN, por seu turno, afirma que o número ascende a mais de 1000. Em mais de 80 cidades russas saiu-se à rua contra a proposta de reforma das pensões do Governo, que aumentaria a idade da reforma.

De acordo com os números apresentados pelo grupo OVD-Info, uma organização sem fins lucrativos que monitoriza as detenções feitas pelas autoridades russas, pelo menos 36 pessoas foram detidas em Moscovo, a capital. Em São Petersburgo, a segunda maior cidade, houve pelo menos 354 detenções.

Estas manifestações — raras, pela frequência e dimensão —, foram organizadas pelos apoiantes de Alexander Navalni, o único rosto da oposição a Vladimir Putin. Navalni foi condenado a 30 dias de prisão em Agosto. Como habitualmente, entra e sai da cadeia às ordens de juízes e a sua última detenção foi justificada por violação das leis que regulamentam os protestos.

Estes protestos representam para os russos a única forma de oposição possível, uma vez que os partidos fora do sistema não têm lugar na Duma.

São várias as histórias de agressões nestas manifestações. Uma repórter da TV Rain, Masha Borzunova, foi atingida com um bastão enquanto a polícia tentava dispersar os manifestantes. “Amigos, obrigada a todos os que me escrevem, eu estou bem!”, escreveu no Twitter. “Outros sofreram mais”, continua.

Também o fotógrafo David Frenkel, citado pela CNN, afirma que captou pelo menos duas imagens que o chocaram: uma de um idoso a ser detido; outra da detenção de um rapaz em idade escolar.

As manifestações deste domingo foram propositadamente marcadas para coincidirem com uma jornada eleitoral em que os candidatos leais ao Kremlin esperavam bons resultados. Foram a votos as presidências de 26 regiões e os parlamentos de 16, as assembleias municipais de 12 cidades e as presidências de quatro autarquias, incluindo a capital, além da renovação de mandatos individuais na Duma (Parlamento) nacional.

Putin permanece claramente incontestável, mas desde que o aumento da idade da reforma foi conhecido viu a sua popularidade baixar dos 87% (Abril) para os 67% (Julho), de acordo com dados do Centro Levada, o principal instituto de sondagens independente da Rússia.