Governo italiano ameaça vetar Orçamento europeu

Roma exige uma política comum de imigração e diz que a aprovação do Orçamento "não é um dogma".

O ministro da Economia diz que a UE quer aprovar o Orçamento "à pressa"
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O ministro diz que a UE quer aprovar o Orçamento "à pressa" Reuters/Max Rossi

O Governo italiano reforçou esta semana a ameaça de paralisar a União Europeia com um veto durante a votação do próximo Orçamento que desbloqueará fundos para os próximos sete anos. No centro da discórdia está a política de imigração europeia – ou a falta dela, segundo o vice-primeiro-ministro Luigi Di Maio.

Apesar de algumas divisões nos dois parceiros de Governo em Itália, com a Liga a defender medidas ainda mais duras do que o Movimento 5 Estrelas, numa coisa o executivo está unido: "Se a situação da imigração não se altera em breve, o veto será certo", disse Di Maio, do Movimento 5 Estrelas, num texto escrito na sua página no Facebook.

"Acima de tudo, a aprovação do Quadro Financeiro Plurianual para os próximos sete anos, que eles gostariam de aprovar à pressa antes das próximas eleições europeias, não é um dogma", ameaçou o governante italiano.

Antes dele, já o ministro da Administração Interna, Matteo Salvini, tinha ameaçado deixar de transferir dinheiro para o Orçamento europeu. No dia da queda da ponte em Génova, o líder da Liga disse mesmo que situações como essa resultavam das políticas de austeridade aplicadas por Bruxelas.

As desavenças entre a União Europeia e o novo Governo italiano não são uma novidade – foi por causa dessa atitude de distanciamento que a Liga e o Movimento 5 Estrelas foram os partidos mais votados. Mas a situação agravou-se quando o comissário europeu para o Orçamento, Günther Oettinger, desmentiu o Governo italiano sobre o montante que Roma transfere anualmente para os cofres europeus.

"Não são 20 mil milhões de euros por ano. A Itália paga 14, 15 ou 16 mil milhões por ano. Mas se contabilizarmos o que eles levam do Orçamento europeu, a contribuição fica-se pelos três mil milhões por ano", disse Oettinger.

"Ninguém gosta de pagar. Mas se mandamos vir, temos de pagar", concluiu.