Trump diz que se for destituído há um crash nos mercados

Numa entrevista à Fox News, o Presidente norte-americano disse que os pagamentos feitos a duas mulheres forma legais pois o dinheiro usado não foi dos fundos para a campanha eleitoral.

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Reuters/LEAH MILLIS

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse numa entrevista à Fox News que colaborar com o Governo numa investigação criminal a troco de redução de pena "devia ser ilegal" e advertiu que destituí-lo pode causar um crash económico. 

Trump comentava o processo do seu antigo advogado, Michael Cohen, que se declarou culpado de violação das leis das campanhas eleitorais e que implicou o Presidente no crime. 

“Se eu fosse destituído, penso que havia um crash  nos mercados. Penso que todos ficariam pobres", disse. Também disse que não acredita que isso vá acontecer. "Não sei como se pode destituir uma pessoa que está a fazer um bom trabalho".

Na entrevista, Trump disse ter tido conhecimento de pagamentos para silenciar as duas mulheres com quem teve relações apenas “depois de serem feitos”. Acrescentou ainda que esse dinheiro não veio do financiamento da campanha eleitoral: "[Os pagamentos] não vieram da campanha, vieram de mim."

“Só soube depois. Só depois. O que ele fez — e não foram retirados dos fundos da campanha”, disse. “Isso nem é violação da campanha”, completou. "Na verdade, a primeira coisa que perguntei foi se estes dinheiros vieram da campanha, o que poderia ter sido um pouco nebuloso", acrescentou Trump. 

Segundo a interpretação de Trump, não houve qualquer crime a si associado, até porque o pagamento foi feito por dinheiro seu e não da campanha. A lei eleitoral, porém, diz que pagamentos que possam hipoteticamente influenciar o resultado de uma eleição são ilegais. Mais, a Comissão Eleitoral Federal não foi informada dos pagamentos, como também é da lei.

Numa conferência de imprensa na quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, esquivou-se às perguntas dos jornalistas sobre o tema repetindo, por diversas vezes, que o “Presidente não fez nada de errado”.

Michael Cohen, antigo advogado de Donald Trump, chegou na terça-feira a acordo com os procuradores federais do estado de Nova Iorque. O antigo colaborador do Presidente dos Estados Unidos declarou-se culpado dos crimes de que estava acusado – fraude bancária, fuga aos impostos e violação das leis federais de campanha.

Em tribunal, Cohen admitiu ter feito pagamentos a pelo menos duas mulheres (que não nomeou) a “mando de um candidato” presidencial com quem trabalhou e que também não nomeia — mas que é Donald Trump. O antigo advogado de Trump afirmou que foi com “a coordenação e direcção de um candidato” que “orientou o pagamento do silêncio de duas mulheres” com “o principal objectivo de influenciar as eleições".