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Irão: um casal português, duas rodas, 8500 quilómetros

“Não há melhor forma de descobrir o Irão do que a viajar de mota.” Anabela e Jorge Valente não têm dúvidas; perderam-nas após terem percorrido, sobre duas rodas, mais de 8500 quilómetros de estrada iraniana, entre 4 de Abril e 25 de Maio de 2018. “As estradas são boas, o gasóleo é quase de graça, as pessoas são muito hospitaleiras”, justificam os fundadores da diariesof, “uma revista de viagens feita por viajantes independentes para viajantes independentes”.

"Por regra", contam por escrito ao P3, "os viajantes de moto são bem acolhidos em todo o lado". E o Irão não foi excepção. "Os convites para ficarmos em casa dos habitantes locais aconteciam quase diariamente, ao ponto de termos de recusar alguns convites para podermos ter alguns dias de descanso.” Os encontros com os iranianos, em plena estrada, foram sempre agradáveis e particularmente frutíferos. “Os carros colocavam-se ao nosso lado, na auto-estrada, e as pessoas ofereciam-nos fruta enquanto conduzíamos." E não se despediam sem os convidarem para pernoitar nas suas casas.

A viagem de Jorge e Anabela teve início em Portugal, em Novembro de 2016. O objectivo da dupla portuguesa é realizar uma travessia transcontinental sobre duas rodas e unir Portugal a Vladivostock, o ponto mais a Leste da Rússia. A data de chegada permanece incógnita. No Irão, o casal atravessou desertos, “incluindo o mais quente do mundo, em Kalut”, percorreram desfiladeiros, viram praias e oásis, "castelos de areia disfarçados de aldeias". Visitaram Shiraz, Isfahan e Yazd, "três pérolas do Médio Oriente", cidade "genuínas no coração da Rota da Seda onde apetece ficar mais tempo a saborear os seus segredos”. A Oeste, transitaram pelos “vales férteis” que abrigam a população nómada do Lorestão e Curdistão durante o Inverno. “O Irão é uma verdadeira caixinha de surpresas”, garantem, a partir do Quirguistão, onde se encontram por estes dias. “É também, provavelmente, o país mais injustiçado que conhecemos."

"Porquê o Irão?", perguntaram-lhes todos os amigos, descrevendo o destino como um "país perigoso". "Efectivamente, a imagem que passa é muito negativa. O governo iraniano não faz muitos amigos — nem fora, nem dentro do país. Os próprios iranianos, gente educada e com formação académica, vivem insatisfeitos com a liderança. Não apoiam que a religião se veja misturada com a política. Homens e mulheres lamentam muitas das regras impostas pela República Islâmica, tal como o uso obrigatório do hijab ou a proibição das bebidas alcoólicas. Sentimos que têm bem presente na memória o preço de uma revolução, das vidas que se perdem. Por isso, pacientemente, esperam pelo momento certo para derrotar democraticamente o governo que não os representa.”

De seis em seis meses, a revista diariesof publica uma edição dedicada exclusivamente a um só território. “O nosso objectivo é levar o leitor, através da fotografia e dos relatos dos viajantes, a querer visitar o país.” A viagem pode ser acompanhada através da conta de Instagram.