Queda do desemprego de longa duração atinge novos máximos

No segundo trimestre de 2018, o número daqueles que estão desempregados há mais de um ano diminuiu 32,7% em termos homólogos, a maior descida de que há registo, pelo menos desde 1998.

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Rita Franca

É cada vez mais na descida do número de desempregados de longa duração que está a explicação para que a taxa de desemprego em Portugal continue a cair a um ritmo muito forte, atingindo mínimos desde 2004 e superando as projecções feitas pelo próprio Governo para o total do ano.

De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quarta-feira, a taxa de desemprego em Portugal caiu no segundo trimestre deste ano para 6,7%, registando-se nesse período menos 110 mil desempregados do que em igual período do ano anterior.

Dessa descida de 110 mil, 81,6% (cerca de 89 mil) corresponderam a desempregados de longa duração, isto é, pessoas que há mais de um ano se encontravam nessa situação e que agora deixaram de estar classificados como desempregados.

Estes números confirmam aquilo que tem vindo a acontecer de forma clara desde o início de 2017: depois de uma primeira fase – entre 2013 e 2016 - em que o mercado de trabalho absorveu principalmente aqueles que tinham perdido o emprego há pouco tempo, começou-se a observar um contributo crescente da redução do desemprego de longa duração, um fenómeno que tem permitido que a taxa de desemprego em Portugal continue a cair rapidamente e mesmo de forma mais acentuada do que aquilo que era previsto.

No segundo trimestre de 2018, revelam os números do INE, verificou-se uma redução de 32,7% no número de desempregados de longa duração face ao mesmo período do ano passado, a queda mais acentuada de que há registo desde pelo menos 1998. A queda é aliás ainda mais notória nos desempregados de muito longa duração (que estão no desemprego há mais de dois anos), que se cifrou em 34,8%. Estes números comparam com uma descida global do número de desempregados de 23,8%.

Neste momento, o desemprego de longa duração representa 52,2% do total, quando no final de 2016 estava nos 62,1% e, em meados de 2014, atingiu o seu máximo nos 67,4%.

A redução do desemprego de longa duração (que é habitualmente considerado o mais preocupante pelos efeitos negativos que têm ao nível da pobreza e do risco de exclusão social nos afectados e na redução do crescimento potencial de toda a economia) é o resultado, por um lado, da diminuição do número de pessoas que passa do desemprego de média duração para o desemprego de muito longa duração e por outro do aumento do número de pessoas que consegue transitar para o emprego ou que acaba por ir para a inactividade (por aposentação). Não há dados disponíveis para identificar o peso de cada um destes factores.

O efeito do Verão

A diminuição do desemprego de longa duração é um dos vários indicadores onde se nota a continuação de uma melhoria das condições do mercado de trabalho em Portugal. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego do segundo trimestre de 6,7% representa o valor mais baixo que é possível encontrar nas séries históricas do INE desde o segundo trimestre de 2004.

Face ao primeiro trimestre do ano a diminuição foi de 1,2 pontos percentuais, uma queda acelerada mas que tem de ser lida com prudência. É que, como este indicador não é corrigido dos efeitos da sazonalidade, os segundos trimestres do ano revelam habitualmente evoluções muito positivas deste indicador, devido aos empregos temporários que são criados pelo Verão. Nos segundos trimestres de 2014, 2015, 2016 e 2017, as descidas da taxa de desemprego foram, respectivamente, de 1,2, 1,8, 1,6 e 1,3 pontos percentuais, variações em linha (e até ligeiramente acima) da agora registada.

De qualquer modo, se a comparação for feita com o mesmo período do ano anterior (retirando desse modo o efeito da sazonalidade), a descida da taxa de desemprego foi de 2,1 pontos percentuais, o que significa que se manteve o ritmo elevado de melhoria do mercado de trabalho que se regista desde 2014 e que se acentuou ligeiramente a partir de 2017, em sintonia com a aceleração registada na actividade económica e a descida mais acentuada do desemprego de longa duração.

Esta persistência de descidas fortes da taxa de desemprego deverá fazer com que este indicador supere a generalidade das projecções que tinham sido feitas para a sua evolução este ano. Para 2018, o Governo prevê actualmente uma taxa de desemprego anual (calculada através da média das taxas trimestrais) de 7,6%, uma estimativa feita em Abril e que na altura já representou uma revisão em baixa face aos 8,6% projectados em Outubro na apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2018. Depois de, nos primeiros três meses do ano, a taxa de desemprego trimestral ter sido de 7,9%, os 6,7% do segundo trimestre tornam muito provável que a média anual venha ficar abaixo das projecções do Executivo.

Durante o segundo trimestre deste ano, foram criados 67 mil novos empregos, registando-se uma diminuição de 58 mil desempregados. Face ao ano passado, a criação de empregos foi de 114 mil e a diminuição no número de desempregados de 110 mil.

O INE apresenta ainda, para além da taxa de desemprego oficial, um cálculo da chamada taxa de subutilização do trabalho que inclui, para além das pessoas classificadas oficialmente como desempregadas, também pessoas que têm, contra a própria vontade, apenas trabalhos a tempo parcial e os desencorajados, que apesar de desejarem um emprego, não o procuraram no período em análise. Esta taxa de subutilização do trabalho foi, no segundo trimestre deste ano, de 13,3%, uma descida face aos 15,2% do trimestre anterior e aos 16,6% do mesmo período do ano passado.