Sete em cada dez mochilas de Lídia e Paulo Branco andam às costas de miúdos estrangeiros

Empresários portugueses criaram a DKT, em Ermesinde, onde aliam a moda ao material escolar.

Fotogaleria
O casal começou por comercializar "gifts" Adriano Miranda
Fotogaleria
No escritório de Ermesinde trabalham nove pessoas Adriano Miranda
Fotogaleria
Mochila da marca MARSHMALLOW (34,90 euros)
Fotogaleria
Mochila da marca MISS LEMONADE (29,99 euros)
Fotogaleria
Mochila UNKEEPER HERITAGE BLUE (49,90 euros)
Fotogaleria
Mochila da marca MARSHMALLOW (34,90 euros)
Fotogaleria
Saco e estojo Miss Lemonade (29,99 euros)
Fotogaleria
Mochila Unkeeper (29,50 euros)

Se na hora de comprar uma mochila, esta tiver de oferta um smartwatch, drone, óculos de realidade virtual ou telemóvel, não estranhe. É uma estratégia de marketing de Lídia e Paulo Branco, da empresa de produtos escolares DKT Representações. O objectivo é claro: agarrar os consumidores mais novos, mas não é em Portugal que mais vendem, 70% do peso da facturação chega do que comercializam para o exterior. 

Além das ofertas que causam furor entre os mais novos, o casal tem outro trunfo na manga. Procura sempre traduzir as tendências da moda nas várias linhas de mochilas, estojos, cadernos, carteiras e sacos de piscina que cria. “Como vínhamos do mundo de acessórios de moda, tentámos introduzir moda no escolar”, explica Lídia, rodeada de mochilas dos mais variados estilos e cores. E parece estar a resultar, porque, continua, “é o que nos vai distinguindo no mercado”. A empresa começou há 20 anos, mas na comercialização de gifts (presentes), acessórios de moda e bijuteria. O casal chegou a ter duas dezenas de lojas espalhadas pelo país e pelo estrangeiro, chamavam-se Dakota.

O casal procura ainda utilizar matérias-primas diferentes como o poliéster, veludo e produtos do mundo do calçado, mas é na China que encontra maior variedade de materiais que não há em Portugal, continua a empresária, engenheira química de formação, mas que actualmente dá aulas de marketing. 

Aliás, é também na China que produzem os seus produtos. Paulo Branco garante que não é por causa do custo da mão-de-obra ser menor. “Já não é barato. Está a ficar complicado porque os preços estão a subir muito e há ainda a questão da poluição”, explica. Mas, simplesmente “não existe outra alternativa senão produzir na China, porque são muito eficientes, rápidos e têm mais matéria-prima”.

Em 1998, o negócio era outro. Então, nas lojas Dakota vendiam isqueiros, relógios e canetas, além de bijuteria. “Éramos distribuidores em Portugal de uma marca espanhola da qual rapidamente nos tornámos sócios”, conta Paulo que sempre teve experiência na área das vendas. Por essa altura, o casal viu uma oportunidade no mercado. “Não havia lojas especializadas em prendas e decidimos abrir a primeira no Funchal”, lembra Lídia. Depois seguiram-se outras por todo o país, mas também em Moçambique, no Brasil e nas Canárias. Resolveram ainda entrar no segmento das licenças especializadas. “Começámos a comprar para as nossas lojas e a vender produtos da área do escolar”, recapitula o empresário.

O negócio estava a correr bem até o mercado mudar com o “aparecimento de lojas com produtos semelhantes, mas sem marca, e mais baratos”, lembra Lídia. “Fomos encerrando as lojas porque os custos nos centros comerciais são elevadíssimos”, recorda. A última foi em 2014. Por essa altura, repensaram o negócio, mas sem pôr de lado o mercado dos produtos escolares. “Quisemos agarrar a oportunidade, porque era um mercado a explorar”, sublinha. Foi, então, que apostaram na produção de produtos escolares licenciados desde mochilas, cadernos, estojos e acessórios de moda de marcas como a Marshmallow e Miss Lemonade para rapariga e a Unkeeper para rapaz. “Temos uma parceria com uma empresa americana em que representamos essas três marcas”, explica Lídia. No entanto, é a DKT que trata do design e do desenvolvimento de produto, em Ermesinde, onde trabalham nove pessoas, incluindo o casal. “Até os fechos [das mochilas] desenhamos”, realça Paulo. Também são responsáveis pelo lançamento nos mercados nacional e internacional.

Os produtos são, então, produzidos na China para depois regressarem ao armazém de Ermesinde e serem distribuídos. Só, em 2017, a empresa facturou mais de cinco milhões de euros. Os mercados mais expressivos são o da Grécia, Espanha, Angola, Itália, França, Bélgica, Canadá e Marrocos. “O nosso melhor cliente é a Grécia que representa 20% da facturação”, informa Paulo. “Temos produtos no Carrefour e no E. Leclerc, em França”, orgulha-se. Já em Portugal vendem para as grandes superfícies do Continente e da Staples.

As estratégias de marketing são uma das preocupações da empresa que, para o início do próximo ano lectivo, já desenhou a sua estratégia. Por exemplo, nos hipermercados do grupo Sonae (a que o PÚBLICO também pertence), o casal vai lançar mochilas com oferta de telemóvel, smartwatch e drone; já na Staples estarão outras mochilas com óculos de realidade virtual ou com headphones, informa o empresário.

A DKT também já desenvolveu mochilas com colunas de som incorporadas, com GPS que permitia aos pais saber a localização das crianças, com skates e power bank. Uma mochila pode custar entre 24,90 euros e 49 euros, e não ter estas ofertas.