Plásticos também produzem gases com efeito de estufa

Ao actuar na superfície do plástico, a radiação solar vai acelerando a produção de gases, que continua depois a acontecer mesmo no escuro.

Foto
Sacos de plástico de compras no supermercado José Maria Ferreira

O plástico é uma fonte importante de gases com efeito de estufa, nomeadamente os sacos de plástico, que produzem metano enquanto se degradam, alerta um estudo agora divulgado.

Essas emissões, nomeadamente de metano e etileno, não têm sido tidas em conta nos cálculos dos cientistas sobre a influência nas alterações climáticas da libertação de gás com efeito de estuda na atmosfera, indica o estudo, publicado na revista científica PLOS ONE.

Os investigadores fizeram testes em todos os tipos de produtos, como garrafas de água, sacos, embalagens e produtos industriais, e concluíram que o polietileno, o polímero mais usado, era o emissor “mais prolífico”.

Ainda que não tenham sido determinadas as quantidades de gases libertados, os investigadores advertem que é urgente fazê-lo, tendo em conta os oito mil milhões de toneladas de plástico no planeta, e uma produção que deve duplicar nas próximas décadas.

PÚBLICO -
Foto
A investigadora Sarah-Jeanne Royer rodeada de plásticos na ilha Havai SOEST IPRC

Sarah-Jeanne Royer, investigadora da Universidade do Havai (EUA) e a principal autora do trabalho, explicou, citada pela BBC, que a descoberta foi acidental, já que os investigadores mediam o gás metano proveniente da actividade biológica da água do mar, quando perceberam que as garrafas de plástico que usavam com as amostras produziam mais metano do que os insectos aquáticos.

“Foi uma descoberta totalmente inesperada”, disse Sarah-Jeanne Royer à BBC, explicando que membros da equipa de investigação estavam a usar frascos de polietileno para estudar a produção biológica de metano e estranharam as concentrações muito maiores do que o esperado, descobrindo então que parte das emissões vinha da própria garrafa.

A equipa descobriu também que o plástico mais usado, o que serve para fazer os tradicionais sacos de supermercado, é o que produz maior quantidade de gases com efeito de estufa, que aumenta com a temperatura. Depois de 212 dias ao sol esse plástico emitia 176 vezes mais metano do que no início da experiência.

Os investigadores dizem no estudo que a radiação solar ao actuar na superfície do plástico vai acelerando a produção de gases, que acontece mesmo no escuro.

Até agora, a ligação entre os plásticos e as alterações climáticas centrava-se no uso de combustíveis fósseis para produzir esses plásticos.

Segundo explicou Ashwani Gupta, da Universidade de Maryland, nos EUA (e que não é um dos autores do artigo), o polietileno de baixa densidade emite etileno, metano e propano, mesmo a baixas temperaturas, o que contribui para as emissões de gases com efeito de estufa.

Ainda citada pela BBC, a investigadora Sarah-Jeanne Royer admitiu que as quantidades de metano e etileno produzidas pelo plástico são pequenas, mas advertiu que à medida que o plástico se rompe mais superfície fica exposta, aumentando a quantidade de gases que chega à atmosfera. “Se olharmos para todo o plástico produzido desde 1950, está quase todo ainda no planeta, apenas se está a decompor em pedaços cada vez mais pequenos.”