Poeiras vindas do Norte de África vão chegar a todo o país

Areias vão fazer com que se ultrapasse o limite diário para concentração de partículas estabelecido pela legislação europeia.

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Nos próximos dias, a previsão é que se atinja uma concentração de cerca de 70 microgramas por metro cúbico FILIPE FARINHA/LUSA/Arquivo

Areias muito finas, trazidas pelo vento provocado por uma massa de ar quente e seco no Norte de África, vão chegar a Portugal em grande quantidade, pelo menos até domingo. As previsões da Universidade Nova de Lisboa apontam para a proliferação destas partículas do Sul para o Norte do país, alastrando-se a todo o território continental até ao final da semana.

Por dia, o limite diário estabelecido pela legislação europeia para a concentração de partículas no ar é de 50 microgramas por metro cúbico, explica ao PÚBLICO Francisco Ferreira, professor universitário e presidente da associação ambientalista Zero. Nos próximos dias, a previsão é que se atinja uma concentração de cerca de 70 microgramas por metro cúbico. Porém, “não podemos fazer nada”, detalha o especialista. E porque o fenómeno está associado a uma causa natural, é a “única situação” em que se prevê que o valor estabelecido possa ser ultrapassado.

A concentração destas partículas no ar pode trazer algumas complicações para a saúde. Mas o professor universitário desdramatiza: “Enquanto algumas partículas poluentes podem ser causadoras de problemas, estas [vindas do Norte de África] traduzem-se mais no agravamento temporário das condições já existentes.”

Os grupos mais vulneráveis, diz, são as crianças, os idosos e pessoas com problemas respiratórios. O calor, que também se fará sentir nos próximos dias, agrava a “susceptibilidade das pessoas” a estas partículas.

Apesar do cenário, esta situação “não é nada fora do normal”. Estas poeiras têm até um papel importante ao levar nutrientes de África para o continente americano, sendo “fundamentais para o funcionamento de ecossistemas na América”.

Alerta vermelho em nove distritos

Na manhã desta terça-feira, o IPMA lançou o alerta vermelho para nove distritos no interior do país. O aviso — que significa que há um risco extremo que advém da persistência de valores elevados de temperatura máxima — deve manter-se, pelo menos, entre quinta e sexta-feira.

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Os distritos afectados são Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Évora, Guarda, Portalegre, Santarém e Vila Real. Todos os outros ficam em alerta laranja.

No distrito de Évora, os termómetros devem chegar nesta quinta-feira aos 45 graus. À noite, não devem baixar dos 21. Também a escaldar, estarão Vila Real, Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal e Beja.

Concelhos como Mourão, Mora, Évora e Reguengos de Monsaraz, todos no distrito de Évora, serão particularmente afectados por esta massa de ar quente e seco vinda do Norte de África, com os termómetros a chegar aos 46 graus em alguns dias.

Nas ilhas, fora da influência da massa que atravessa o Continente, as temperaturas não deverão ultrapassar os 30 graus. No início da semana, Joana Sanches, meteorologista do IPMA, explicava, em declarações à agência Lusa: “Vamos ter uma região depressionária a oeste de Marrocos, que leva à intensificação de uma corrente de leste que vai trazer uma massa de ar quente e seco.”

É este quadro de temperaturas elevadas, ao qual se junta a previsão de baixa humidade relativa, pouca probabilidade de chuva e alguma incerteza quanta a trovoadas, que fazem com que o risco de incêndio para os próximos dias seja elevado.

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Da parte da Protecção Civil, os distritos do interior Norte, Centro e Sul estão todos em alerta amarelo (até ao fim do dia de hoje) para o risco de incêndios rurais. Todos os outros estão em alerta azul. A tendência será de “incremento” do estado de alerta nos dias seguintes.