O Agosto em Braga: Bonga, Seun Kuti, sons latinos e árabes

O Theatro Circo monta a sua Máquina de Gelados, ciclo dedicado às músicas de todo o planeta.

Bilhetes Bad Gyal, Westward Music Festival 2018, Vancouver
Fotogaleria
Bad Gyal é o nome por que responde a catalã Alba Farelo, rapariga de Barcelona que optou por se dedicar ao dancehall Pablo De Pas
Bonga
Fotogaleria
Bonga continua a espalhar magia com a sua interpretação pessoal do semba N’Krumah Lawson Daku

Enquanto boa parte do país vai a banhos, o Theatro Circo, em Braga, monta a sua Máquina de Gelados, ciclo dedicado às músicas de todo o planeta, como forma de tentar fazer esquecer o calor e não deixar esmorecer a agenda de concertos em Agosto. Este ano, serão seis os espectáculos, divididos por quatro datas entre 3 e 24 de Agosto (sempre à sexta-feira), com dois nomes cujo impacto e a reincidência em palcos nacionais justifica serem as únicas estrelas da noite (Bonga e Seun Kuti), enquanto os outros quatro prometem ser surpresas reveladas ao país a partir da sala bracarense (Nathy Peluso, Bad Gyal, Ahmed Fakroun e Altin Gun).

O arranque, a 3 de Agosto, fica por conta de duas mulheres cujo linguajar afiado e entregue em acutilantes versos disparados em castelhano é o óbvio ponto de contacto. Bad Gyal é o nome por que responde a catalã Alba Farelo, rapariga de Barcelona que optou por se dedicar ao dancehall e se tornou um caso sério de sucesso no Verão de 2016 ao ver disseminar-se de forma imparável o seu vídeo de Pai. Pai é, na verdade, a sua interpretação de Work, tema do reportório de Rihanna, a que Bad Gyal aplica o seu inseparável autotune, o seu selo de tratamento musical jamaicano e a sua particular apetência para discursos que se cruzem com sexo e drogas. As visualizações dos seus vídeos contam-se aos milhões e passou este ano pelo Primavera Sound, chamada ao palco da Pitchfork, publicação que caiu de amores pela catalã.

A medida de sucesso de Nathy Peluso, que partilha o palco com Bad Gyal, não é muito diferente. Outra explosão de popularidade a partir do YouTube, a argentina baseada em Madrid tem fama de virar os palcos do avesso e já andou pelo Lolapalooza e pelo Eurosonic. É moça para carregar nos seus temas hip-hop, jazz e música de acentuada raiz latino-americana (especialmente cubana).

A outra sessão dupla da Máquina de Gelados, a 17 de Agosto, será protagonizada por Ahmed Fakroun e Altin Gün – esperem-se, portanto, sonoridades com linhas arabescas. Fakroun é um cantor líbio que foi uma das faces mais visíveis daquele raï (música popular argelina que, nos últimos anos, ao tornar-se mais eléctrica teve como expoentes máximos Cheb Khaled, Cheb Mami ou até Rachid Taha) com assumida queda para a mais descarada música pop – em particular a europop, que não deu descanso nos anos 80. Depois de uma longa ausência dos palcos, voltou em 2017 para se apresentar no Le Guess Who? Também pelo Le Guess Who? passaram os Altin Gün, banda holandesa em desesperada procura de um passaporte turco. Ou seja, o baixista Jasper Verhults descobriu o psicadelismo da facção da Anatólia, quis tê-lo na sua vida e encontrou no Facebook vozes turcas que emprestaram uma maior credibilidade ao seu projecto.

A 10 de Agosto, será a vez de nos voltarmos a deliciar com Bonga. Uma das maiores figuras da música angolana, o cantor continua, aos 75 anos, a espalhar magia com a sua interpretaçao pessoal do semba e a interpretar da melhor forma possível o palco como um lugar de sedução. Também sem necessidade de apresentações alargadas, Seun Kuti, que encerra a Máquina de Gelados a 24 de Agosto, é o filho mais novo do lendário criador do afrobeat Fela Kuti. Seun era ainda criança quando começou a tocar com a banda Egypt 70, e com a morte de Fela emancipou-se e passou para o comando dessa formação que era o frondoso apoio musical da linguagem do seu pai. Traz consigo um novo álbum, Black Times.