Direcção de Informação da RTP renovada e com poderes mais concentrados

Administração reformulou o organograma da direcção, redistribuiu pelouros que concentrou sobretudo em João Fernando Ramos, e desceu Hugo Gilberto de adjunto para subdirector. Cortou os subdirectores de quatro para três.

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Paulo Pimenta

Depois de quatro meses de incertezas e polémicas sobre o futuro da direcção de Informação da RTP, o Conselho de Administração liderado por Gonçalo Reis aprovou nesta terça-feira o novo organograma que mantém Paulo Dentinho como director. Naquela estrutura entra agora o jornalista João Fernando Ramos como director-adjunto com poderes alargados sobre diversos pelouros - como era exigência de Dentinho -, e a jornalista Rosário Lira como subdirectora responsável pela RTP3. Para a pasta das operações e produção de Informação foi nomeado Alexandre Leandro.

Mas saem cinco nomes - quatro deles de subdirectores. São os casos de Joana Garcia e Adília Godinho, que eram subdirectoras de Informação de televisão com poderes, respectivamente, sobre a RTP3 e o Telejornal; e de Ana Pitas e Alexandre Brito que já tinham pedido, há meses, para deixarem os cargos de subdirectora de produção de informação e de subdirector de informação multimédia.

A RTP pediu hoje à ERC os respectivos pareceres obrigatórios e vinculativos para as mudanças - mas ainda assim o despacho da administração estipula que as nomeações entram já em vigor nesta terça-feira. A ERC tem 20 dias para emitir parecer.

Dando como encerrada a polémica sobre um convite da administração ao jornalista Carlos Daniel para o lugar de Paulo Dentinho, este último mantém-se director de Informação. António José Teixeira e Vítor Gonçalves continuam com o cargo de adjuntos embora perdendo poderes; mas o jornalista Hugo Gilberto desce de adjunto para subdirector mantendo, no entanto, as pastas da Informação Porto e do Desporto, e reportando directamente a Dentinho. O novo organograma corta de quatro para três os lugares de subdirector e parte dessas competências são distribuídas pelos directores-adjuntos.

O reporte directo de Hugo Gilberto ao director de Informação serve para responder à ameaça de alguns responsáveis da redacção do Porto de se demitirem caso tivessem que ficar sob as ordens de João Fernando Ramos. Porque este último jornalista foi alvo de uma denúncia anónima ao provedor, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social e à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) sobre a sua alegada parcialidade na escolha dos entrevistados do Jornal 2 (que apresenta há quatro anos), com preponderância de governantes e socialistas e até de patrocinadores da sua equipa de automobilismo. Ramos chegou mesmo a fazer queixa à Polícia Judiciária. A CCPJ abriu um processo de averiguações que está entregue à respectiva comissão disciplinar mas não tem prazo para decidir, confirmou o PÚBLICO junto da entidade.

Tal como o PÚBLICO noticiou no início do mês, Dentinho tinha proposto à administração a substituição de António José Teixeira pelo jornalista António Esteves e de Hugo Gilberto por João Fernando Ramos (apenas em termos geográficos), antes mesmo de ter apresentado um projecto para a renovação da estratégia da informação.

Porém, a administração recusou fazer mudanças de nomes antes da definição de um plano para a área da Informação. Mas Gonçalo Reis queria deixar a questão resolvida antes do final deste mês e o Conselho de Administração, que costuma reunir à quarta-feira, antecipou um dia as decisões.

De acordo com o novo organograma a que o PÚBLICO teve acesso, António José Teixeira deixa de ter o planeamento de informação e a RTP3 e fica apenas com a responsabilidade da informação diária. Vítor Gonçalves fica responsável pela informação não diária e operações especiais. E João Fernando Ramos, embora seja nomeado director-adjunto, é praticamente um director-executivo já que terá sob a sua alçada, além da informação geral, a RTP3 (com a sub-directora Rosário Lira) e os pelouros do multimédia e da inovação.

Rosário Lira fez a sua carreira essencialmente na rádio e chega à direcção de Informação da televisão com a missão de procurar sinergias entre a TV e a rádio públicas de forma a potenciar os conteúdos multimédia.

Na área das operações e produção, Alexandre Leandro, que era apenas responsável pela área de edição, concentra os pelouros que estavam distribuídos por outros três profissionais, incluindo dois subdirectores.