Um dos jornais mais vendidos nos EUA despediu metade da redacção

O New York Daily News é conhecido pelo formato tablóide, capas e títulos ousados. Ganhou o 11.º Pulitzer em 2017, ano em que foi vendido por um dólar.

A capa desta segunda-feira
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A capa desta segunda-feira Reuters/LUCAS JACKSON
A sede do jornal
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A sede do jornal Reuters/BRENDAN MCDERMID

O jornal nova-iorquino New York Daily News anunciou nesta segunda-feira o despedimento de metade dos jornalistas da redacção, que agora fica reduzida a 40 trabalhadores a tempo inteiro. A linha editorial também vai alterar-se, para dar primazia ao digital. A decisão foi anunciada esta manhã aos jornalistas.

Por e-mail, a administração anunciou que tem trabalhado na transformação do jornal, que faz 100 anos em 2019, numa “empresa verdadeiramente focada no digital”. Para isso, e a par do despedimento de 50% da redacção, a linha editorial vai focar-se nas notícias de última hora, sobre “crime, justiça civil e responsabilidade pública”, segundo cita o Guardian. A edição online do jornal não está acessível na Europa, devido às normas do Regulamento Geral de Protecção de Dados, em vigor desde 25 de Maio.

“As decisões anunciadas hoje reflectem a realidade do nosso negócio e a necessidade de adaptação a um panorama mediático em constante mutação”, lia-se no e-mail enviado à redacção. “Não reflectem o talento que nos deixa hoje. Para que não haja dúvidas: estes colegas são altamente valorizados e sentiremos a sua falta.”

O chefe de redacção cessante, Jim Rich, usou o Twitter para opinar sobre os despedimentos: “Se são dos que odeiam a democracia e acham que os Governos locais devem operar sem verificação e no escuro, hoje é um bom dia para vocês.”

Na década de 1940, o tablóide Daily News vendia milhões de exemplares por dia. Há apenas quatro anos, o jornal era um dos dez com maior circulação nos EUA, sendo publicado a partir de Nova Iorque. Em 2017, já tinha saído desse ranking. Nesse mesmo ano, foi vendido ao grupo Tronc, que detém o Chicago Tribune e o Los Angeles Times, por apenas um dólar. O grupo Tronc assumiu os custos operacionais, pensões e o passivo da empresa – que alegadamente, se cifram em dezenas de milhões de dólares, de acordo com o Huffington Post. A venda aconteceu no âmbito de um processo de reorganização da empresa. Mortimer Zuckerman, o antigo dono, detinha o jornal desde 1993 e já o tinha posto à venda uma vez, em 2015, mas acabaria por voltar atrás na decisão. 

O tablóide, descrito pelo New York Times como “a voz da classe trabalhadora nova-iorquina” é conhecido pelas capas irreverentes e polémicas. Na semana passada, imprimiu na primeira página uma caricatura de Donald Trump, de mãos dadas com Vladimir Putin na Quinta Avenida, a disparar um tiro na cabeça do Tio Sam. Outra capa que se tornou famosa retratava Donald Trump disfarçado de palhaço, com uma manchete em que se lê: “O amanhecer dos mortos cerebrais”.

Os números de 2017 apontavam para uma circulação diária de 200 mil exemplares durante os dias da semana e 260 mil exemplares aos domingos. Mas os números mais actuais apontam para uma queda na ordem dos 15%, cifrando-se em 170 mil exemplares.

De acordo com os números do jornal gratuito Metro, em 2017 o Daily News teve uma circulação diária de 169 mil exemplares: uma quota de mercado de 19% na cidade de Nova Iorque.