Advogado de Trump gravou conversa sobre pagamento a ex-modelo da Playboy

A conversa teve lugar em 2016 e foi gravada sem o consentimento de Trump. Durante quase dois minutos, discute.se um possível pagamento a uma ex-modelo com o quem Trump teve um caso em 2006.

Michael Cohen, Estados Unidos, Investigador Especial, Advogado
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Michael Cohen,. ex-advogado de Donald Trump Brendan McDermid/Reuters

Donald Trump foi gravado sem saber pelo seu antigo advogado, Michael Cohen, enquanto ambos conversavam sobre um pagamento a uma antiga modelo da Playboy que disse ter tido um caso com o magnata em 2006.

A conversa teve lugar em Setembro de 2016, dois meses antes das eleições presidenciais que Trump venceu. A gravação foi apreendida pelo FBI durante uma busca ao escritório de Cohen, em Abril de 2018, mas só se tornou conhecida nesta sexta-feira.

De acordo com o New York Times, Michael Cohen gravou a conversa sem o consentimento de Trump e manteve-a em sua posse até Abril, altura em que foi apreendida.

Cohen começou a ser investigado pelo procurador especial Robert Mueller, que tem sob a sua alçada a investigação à interferência russa nas presidenciais de 2016. Suspeita-se que o advogado tenha ficado encarregado de “travar” todas as notícias potencialmente más sobre Donald Trump, incluindo os seus casos extraconjugais com várias mulheres, o que pode (ou não) ter violado leis federais sobre o uso de verbas durante a campanha. 

Karen McDougal, antiga modelo da Playboy, diz ter tido um caso com o actual Presidente norte-americano em 2006. O caso terá durado cerca de um ano, diz o New York Times. Pouco antes do fim da campanha presidencial, McDougal vendeu a história ao jornal National  Enquirer  que lhe pagou 150 mil dólares por uma reportagem que acabou por não publicar.

Na conversa gravada, que dura quase dois minutos, Michael Cohen e Donald Trump falam sobre a possibilidade de pagar a McDougal pelo seu silêncio. Escreve o Times que os dois homens acordaram que, se existisse pagamento, devia ser em cheque e não em dinheiro, de forma a poder ser documentado.

O actual advogado de Trump, "Rudy" Guiliani, antigo presidente da Câmara de Nova Iorque, nega que tenha existido pagamento algum, mas confirma a existência da gravação. “Nada na conversa sugere que Trump sabia que estava a ser gravado”, disse Guilian ao New York Times.

Michael Cohen também foi contactado pelo jornal nova-iorquino, mas não quis comentar.

Outrora um seguidor fiel de Trump, Cohen afastou-se do círculo de confiança do Presidente em Abril, no início das investigações?. Tem-se mostrado receptivo à ideia de colaborar com os investigadores, diz o jornal britânico The Guardian.

Não é a primeira vez que os “acordos de silêncio” de Donald Trump saem a público. A actriz pornográfica Stormy Daniels (nome verdadeiro Stephanie Clifford) tem em curso dois processos contra Donald Trump: um por difamação e outro relativo ao “acordo de silêncio” (que diz nunca ter assinado mas pelo qual terá sido paga) sobre a relação que teve com Trump.

Stormy Daniels afirma que manteve relações sexuais com Donald Trump entre 2006 e 2007, já depois do empresário da construção civil se ter casado com Melania. Disse ter sido coagida a assinar um contrato que impedia a divulgação do caso.

Apesar de Donald Trump negar a relação com Stormy Daniels, Cohen admitiu em Fevereiro ter transferido 130 mil dólares (105 mil euros) da sua conta pessoa para a da acrtista para manter o seu silêncio. Trump diz que nunca soube deste pagamento.