Ex-primeiro-ministro Sharif preso ao voltar ao Paquistão

Ataque suicida em comício mata 85 pessoas. A dias das eleições legislativas, o clima é muito tenso.

Carro, festival
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Milhares de pessoas à espera de Sharif EPA

O ambiente no Paquistão é de grande tensão a poucos dias das eleições eleitorais. Um bombista suicida matou 85 pessoas nesta sexta-feira durante um comício em Mastung, a 40 quilómetros da capital do Baluchistão, Quetta. Foi o terceiro ataque relacionado com a votação de 25 de Julho nesta semana e ocorreu no dia em que o antigo primeiro-ministro Nawaz  Sharif regressou ao país e fo i imediatamente preso, para cumprir a pena de dez anos de cadeia a que foi condenado por corrupção. 

O ministro da Saúde do Baluchistão, Faiz Kakar, disse à Reuters que 120 pessoas estão feridas. Mil pessoas assistiam ao comício de Mir Siraj Raisani, que era candidato pelo Partido Awami do Baluchistão (BAP) e morreu.

Na manhã desta sexta-feira outro ataque visou outro candidato, Akram Khan Durrani, representante de uma coligação de partidos religiosos, a MMA. Sobreviveu à detonação de uma bomba à passagem do comboio em que seguia perto de Bannu (Noroeste da Índia). Quatro pessoas morreram e 40 ficaram feridas.

Na terça-feira à noite, outro ataque suicida reivindicado pelos taliban teve como alvo um comício do Partido Nacional Awami em Peshawar (Noroeste). Vinte e duas pessoas foram mortas.

Sharif, cujo partido é dirigido pelo seu irmão, Shehbaz, anunciou que regressava nesta sexta-feira a Lahore, no Punjab, onde dezenas de milhares de apoiantes do antigo primeiro-ministro condenado por corrupção se reuniram à sua espera.

As autoridades mobilizaram dez mil polícias para o local prevendo distúrbios uma vez que, de acordo com a lei, Sharif foi preso mal aterrou no Paquistão. A filha Maryam Nawaz, que viajou com ele e que também foi condenada, foi igualmente detida.

O jornal Times of India diz que o regresso de Sharif pode ter o efeito de perturbar ainda mais o clima eleitoral dominado pela violência e pelas acusações de que o poderoso aparelho militar está a manobrar para que seja eleito o ex-jogador de cricket Imran Khan.