Um dos maiores gangsters de França voltou a fugir da prisão. Desta vez, de helicóptero

Redoine Faïd deveria cumprir uma pena de prisão de 25 anos por causa de um assalto falhado em que morreu uma pessoa. "Em poucos minutos", escapou neste domingo, no meio de um cenário que parece um filme.

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O helicóptero usado na fuga foi encontrado pelas autoridades horas depois LUSA/IAN LANGSDON
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Foto de 2013, de um agente especial à frente da prisão de Sequedin (Lille), quando Redoine Faïd logrou escapar pela primeira vez Pascal Rossignol/Reuters/Arquivo

Em 2013, Redoine Faïd, um francês de origem argelina, estava na mira das autoridades como o criminoso mais procurado de França. Nesse ano, a 13 de Abril, escapou da prisão onde cumpria pena por assalto. Mês e meio depois foi recapturado e encarcerado de novo. Mas quem consegue uma, consegue duas. E Redoine, actualmente com 46 anos, pôs a polícia francesa em alerta neste domingo, 1 de Julho, depois de escapar de novo da prisão de Réau, na região de Seine-et-Marne. Na fuga, teve a ajuda de três homens "fortemente armados" e de um helicóptero.

Tudo aconteceu por volta das 11h30 deste domingo, conta o diário Le Monde. "As capacidades de evasão [de Redoine Faïd] eram conhecidas dos serviços especializados", sublinha o mesmo jornal, o que não impediu o prisioneiro de repetir um feito que já tinha logrado em 2013: uma fuga espectacular.

Considerado um dos mais famosos gangsters de França, com uma longa carreira como assaltante que o próprio diz ter sido inspirado em filmes sonantes de Hollywood como Scarface e Cidade Sob Pressão, Redoine Faïd contou desta vez com a ajuda de três homens que, conta a Reuters, a meio da manhã chegaram à entrada da prisão e exigiram a libertação dele. Porém, diz a mesma agência, tratava-se apenas de uma manobra de diversão, para distrair os seguranças da prisão, onde Redoine estava a cumprir pena de 25 anos de prisão por causa de um assalto falhado em 2010, durante o qual uma agente da polícia foi morta.

Na mesma altura em que os três cúmplices desempenhavam o seu papel, um helicóptero aterrou no pátio daquele estabelecimento prisional. Em "circunstâncias que ainda estão por esclarecer", diz o Le Monde, a equipa de apoio a Redoine Faïd conseguiu retirá-lo da prisão. Fontes citadas pela Reuters contam, por seu lado, que "homens armados" retiraram o prisioneiro da sala de visitas, onde este se encontrava na altura e puseram-se em fuga no aparelho, que viria a ser encontrado queimado e destruído a norte de Paris, em Gonesse, na região de Val-d'Oise. Ninguém ficou ferido durante esta operação, acrescenta a mesma agência de notícias.

O ministro francês do Interior comentou esta espectacular fuga, garantindo que "está a ser feito tudo para localizar o fugitivo".

É a segunda vez que Faïd protagoniza um episódio destes. A primeira foi em 2013. Nessa altura fez quatro reféns entre guardas prisionais, que foram usados como escudos humanos, no estabelecimento de Sequedin, perto de Lille. Depois usou diversas cargas de explosivos para rebentar com umas quantas portas, até chegar ao exterior. Uma vez cá fora, recorda a BBC, prosseguiu numa viatura, deixando para trás a prisão onde tinha ingressado apenas meia hora antes. 

Após seis semanas a monte, foi recapturado num hotel, acompanhado por um cúmplice.

Nascido a 10 de Maio de 1972, Redoine Faïd cresceu nos subúrbios de Paris. Algumas aparições na TV francesa e um livro que escreveu sobre a vida dele e de como se transformou num criminoso tornaram-no conhecido fora dos meandros policiais.

Na década de 90 liderava um gangue envolvido em assaltos e extorsão em Paris. Em 2001 foi condenado a 30 anos de prisão, dos quais cumpriu menos de dez. Saiu em liberdade condicional em 2009, depois de convencer as autoridades que tinha mudado de vida. Um ano depois, as autoridades francesas acusaram-no de ter sido o cérebro de outro assalto, que falhou, e durante o qual foi morta uma agente da polícia.

Em 2011 acabaria por regressar à prisão, por violação das condições da liberdade condicional. Em 2013 protagonizou a fuga em Lille, que durou seis semanas e em 2017, já cumprindo pena, foi novamente condenado a dez anos de prisão, por causa dessa fuga de 2013.