Forças de segurança responsáveis por centenas de mortes, diz ONU

Entre 2015 e 2017 houve 505 mortes durante as operações de combate ao crime conduzidas pelas forças de segurança venezuelanas.

Em 2017, a ONU tinha publicado um relatório sobre as mortes de civis durante as manifestações
Foto
Em 2017, a ONU tinha publicado um relatório sobre as mortes de civis durante as manifestações Reuters

As forças de segurança venezuelanas foram responsáveis por centenas de mortes de civis em operações de combate ao crime, avança um relatório publicado esta sexta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao contrário do último relatório da ONU sobre a violência na Venezuela, publicado em Agosto de 2017, este não relata o uso de violência excessiva durante as manifestações que ocorreram no país sob a presidência de Nicolás Maduro, mas documenta os “testemunhos chocantes e credíveis de mortes extrajudiciais durante as operações de combate ao crime que ocorreram desde 2015, conhecidas como Operações para a Libertação do Povo (OLP)”, lê-se no comunicado do relatório.

Entre Julho de 2015 e Março de 2017, o gabinete da procuradoria-geral registou a morte de 505 pessoas pelas forças de segurança durante aquelas operações.  

“Os testemunhos das vítimas lançam dúvidas se as OLP eram mesmo para desmantelar grupos criminosos”, avança o relatório. “Há elementos que parecem indicar que elas eram um instrumento para o Governo mostrar alegados resultados de redução do crime.”

Segundo as testemunhas, nas operações as forças de segurança conduziam “raides a bairros pobres para deter 'criminosos' sem terem qualquer mandado judicial; matavam homens jovens que estavam dentro do perfil [de criminoso], algumas vezes nas suas próprias casas; e, finalmente, alteravam os lugares para que parecesse que tinha havido uma troca de tiros”, explica o comunicado.