Paul Manafort, antigo presidente da campanha de Trump, enviado para a cadeia

Tribunal considera que tentou influenciar uma testemunha a partir da prisão domiciliária e revogou a fiança de dez milhões de dólares.

Manafort é acusado de 20 crimes
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Manafort é acusado de 20 crimes Reuters/JONATHAN ERNST

Paul Manafort, o antigo presidente da campanha eleitoral de Donald Trump que foi acusado de mentir aos investigadores do FBI e de participar num esquema de lavagem de dinheiro, vai passar o resto do tempo até ao seu julgamento numa cela.

Uma juíza federal da capital dos EUA decidiu nesta sexta-feira revogar a ordem de prisão domiciliária e anular uma fiança de dez milhões de dólares que permitia que Paul Manafort estivesse a aguardar julgamento em casa, com pulseira electrónica.

Manafort foi acusado de vários crimes pelo procurador especial Robert Mueller, no âmbito da investigação sobre as suspeitas de conluio entre a campanha de Donald Trump e o Governo da Rússia. As acusações que vão levar Manafort a tribunal dizem respeito a supostos crimes praticados no tempo em que trabalhou como consultor do partido do ex-Presidente ucraniano Viktor Ianukovich, pró-russo.

A decisão da juíza Amy Berman sobre se Manafort poderia continuar em prisão domiciliária ou se iria aguardar o seu julgamento numa cadeia estava marcada para esta sexta-feira. E já se esperava que a decisão fosse a que acabou por ser anunciada: na semana passada, o procurador Mueller disse que Manafort tentou influenciar ou travar as declarações de uma testemunha no processo.

De acordo com a acusação do procurador Robert Mueller, Paul Manafort enviou a essa testemunha uma mensagem codificada para tentar convencê-la a dizer que o grupo de lobby para os quais ambos trabalharam “operava na Europa”. Na verdade, tanto Manafort como a testemunha em causa sabiam que a empresa operava nos Estados Unidos, e sem se ter registado como representante de um Governo estrangeiro, uma exigência legal.

Ao todo, a equipa do procurador especial Robert Mueller já produziu acusações formais contra 20 pessoas e outras entidades no âmbito das investigações sobre a campanha de Trump – em alguns casos, como no de Manafort, essas acusações dizem respeito a outras questões, que podem estar indirectamente ligadas às suspeitas de conluio entre a Rússia e a campanha de Trump.

Paul Manafort esteve na reunião de Junho de 2016, na Trump Tower, em Manhattan, em que participaram o filho mais velho de Donald Trump, Donald Trump Jr., e uma advogada russa com ligações ao Kremlin que ofereceu informações prejudiciais para a campanha da democrata Hillary Clinton.

Enquanto Manafort se recusa a colaborar com a Justiça e continua a afirmar que está inocente, outros acusados, como o seu antigo sócio Rick Gates, aceitaram assinar uma declaração de culpabilidade e estão a colaborar com a equipa de Robert Mueller.