Itália recusa desembarque de 629 migrantes e pede a Malta que os acolha

Política anti-imigração do novo governo italiano começa a produzir efeitos no Mediterrâneo.

Imagem de arquivo de uma operação de resgate ao largo de Malta, em 2017
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Imagem de arquivo de uma operação de resgate ao largo de Malta, em 2017 Reuters/DARRIN ZAMMIT LUPI

O ministro do Interior de Itália pediu neste domingo a Malta que receba o barco da ONG SOS Mediterrâneo, com 629 migrantes a bordo, afirmando que o novo Governo italiano não autoriza que desembarquem em Reggio Calabria, no Sul do território.

De acordo com a comunicação social italiana, Matteo Salvini enviou uma carta urgente às autoridades maltesas, explicando que o Aquarius, com pessoal dos Médicos Sem Fronteiras a bordo, encontra-se a 43 milhas náuticas de Malta (quase 80 quilómetros), pelo que a obrigação de desembarque dos migrantes não pertence aos italianos.

A Guarda Costeira italiana, que coordena as operações de vigilância e resgate no Mediterrâneo central, disse à agência EFE que, no sábado, foram resgatados 629 migrantes em seis operações, nas quais participaram unidades da ilha de Lampedusa, três navios mercantes e a ONG SOS Mediterrâneo.

Todos os imigrantes (incluindo 123 menores não acompanhados e sete mulheres grávidas) foram transferidos para o Aquarius, disse a ONG francesa.

O membro do Governo comunicou a posição de Itália quanto ao Aquarius na sequência da recusa de há dias de desembarque de 232 migrantes resgatados por um navio da organização não-governamental (ONG) alemã Sea Watch.

A embarcação chegou ao porto de Reggio Calabria, depois de quatro dias no mar Mediterrâneo, com as mais de duas centenas de migrantes a bordo.

Segundo o diário Malta Today, um porta-voz do Governo maltês disse que o "resgate ocorreu na zona de busca e resgate da Líbia e foi coordenado pelo centro de coordenação de resgate de Roma".

"Malta não é a autoridade coordenadora e não tem competência no caso", assinalou.

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