Morreu Kate Spade, a designer que alegrava os clientes com as suas malas

Designer norte-americana de moda e acessórios tinha 55 anos.

A designer no final de uma apresentação há um ano
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A designer no final de uma apresentação há um ano Andrew Toth/FilmMagic/Getty Images
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A entrada do prédio onde vivia a designer, esta manhã Reuters/BRENDAN MCDERMID

Morreu a designer de moda e acessórios Kate Spade. A norte-americana tinha 55 anos e foi encontrada morta no seu apartamento de Park Avenue, Nova Iorque, EUA, noticia a CBS. Ficou conhecida por desenhar malas coloridas e divertidas, mas sofisticadas, um produto que qualquer jovem norte-americana sonhava ter e podia conquistar já que a marca se posicionava num segmento premium com materiais de qualidade, mas a um preço relativamente acessível.

Segundo a cadeia televisiva norte-americana, a designer foi encontrada já sem vida pela sua empregada na manhã desta terça-feira e as autoridades foram chamadas ao local, onde estão a investigar o caso. Num comunicado assinado pela criadora Diane von Furstenberg e pelo CEO Steven Kolb, o Council of Fashion Designers of America (CFDA) lamenta a morte "trágica" da criadora e recorda o seu "grande talento" e "impacto imensurável na moda americana e na forma como o mundo via os acessórios norte-americanos".

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Wendy Maeda/The Boston Globe via Getty Images

A designer começou a trabalhar na década de 1980 para a revista feminina Mademoiselle, como editora de moda. Namorou com Andy Spade – irmão do actor cómico David Spade – que conheceu na faculdade, no Arizona, onde estudou jornalismo. Em 1993 co-fundou a Kate Spade Handbags com o companheiro, com quem viria a casar um ano depois, embora já usasse o seu nome. O seu apelido de solteira é Brosnahan e Kate nasceu em Kansas City, em 1962.

A marca tornou-se conhecida globalmente pela linha de roupas e de acessórios, nomeadamente as jóias, as malas e os sapatos de pele. A designer ganhou vários prémios da indústria e o seu nome tornou-se sinónimo de malas divertidas que foram um sucesso quer entre as mulheres de negócios, quer entre as jovens, sendo um símbolo de status, tal como as malas Fendi ou Chanel, diz o New York Times. Em 2000, a sua marca foi citada na série O sexo e a cidade.

Tal como a filha dos Clinton, Chelsea, já comentou a morte da criadora, lembrando que a avó lhe ofereceu a primeira Kate Spade; também a actriz Lena Dunham lamenta a morte da criadora, lembrando como os seus acessórios fizeram milhões de pessoas felizes. Outras têm lembrado a alegria que algumas das peças da marca transmitiam, como é o caso da autora Alisha Rai ou da jornalista Steph Haberman. 

A designer construiu a marca em torno da alegria, com cores vivas e desenhos divertidos, que faziam as mulheres sorrir, reforça o New York Times, acrescentando que Spade era a "personificação de sua própria estética".

Mudar de vida, mudar de nome

O casal viria a vender a empresa em 1999 ao grupo Neiman Marcus, noticia o New York Times, que o vendeu em 2006 à Liz Claiborne, embora Spade continuasse a ser o rosto visível da marca, abandonou-a definitivamente em 2007, altura em que se dedicou à maternidade e à filantropia, avança a BBC. 

O ano passado, a Kate Spade Handbags foi comprada pela Coach, a marca de malas nova-iorquina, por 2,4 mil milhões de dólares (cerca de dois mil milhões de euros). Actualmente, a marca Kate Spade New York tem mais de 140 lojas e outlets nos Estados Unidos e mais de 175 no resto do mundo, de acordo com o próprio site. Não há loja em Portugal.

Nove anos depois, em 2016, a designer voltou ao mercado com o marido e dois amigos – Elyce Arons, parceira de Kate Spade, e Paola Venturi, ex-directora de design de calçado –, para lançar uma nova marca, a Frances Valentine, o nome da sua filha e também dos seus dois avós. A menina tem agora 13 anos. Em diversas entrevistas, Kate declarou-se tão comprometida com o novo projecto que mudara o seu nome para Valentine – Kate Valentine Spade.

Ao contrário da anterior marca, a Frances Valentine chegou ao mercado de forma cautelosa, a vender sapatos e malas directamente aos consumidores, a partir do online e, também, em algumas cadeias como a Nordstrom, Bloomingdale's e Shopbop. "[Nós pensamos]: vamos cometer erros", contou Kate à Fast Company, em Agosto de 2016. "Vamos fazê-los em menor escala." Ou, como Andy explicaria também ao mesmo meio: "As expectativas são maiores agora. Então, temos de criar um óptimo produto e depois construiremos a empresa."

À revista InStyle, em Maio de 2017, a designer dá uma entrevista em que fala do que a inspira: "Encontro inspiração em todo o lado, no dia-a-dia, depende do meu estado de alma."