Polícia usou força letal contra manifestantes e matou mais de 80 pessoas

Amnistia Internacional denuncia violência e violações dos direitos humanos usada na repressão dos protestos contra o Presidente Daniel Ortega.

Os protestos começaram por causa de uma reforma na Segurança Social, entretanto abandonada, e continuam contra a violência das autoridades
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Os protestos começaram por causa de uma reforma na Segurança Social, entretanto abandonada, e continuam contra a violência das autoridades Reuters/OSWALDO RIVAS

Os protestos que começaram por ser contra mudanças na Segurança Social na Nicarágua transformaram-se em manifestações diárias contra o Presidente Daniel Ortega, ao qual as forças policiais respondem com extrema violência. 

Desde meados de Abril, há já 85 mortos e 997 feridos, diz a Comissão para a Verdade, Justiça e Paz da Nicarágua, no que é secundada pela Amnistia Internacional, com números quase idênticos: 81 mortos e 868 feridos.

"Entre os mortos, contabilizam-se cinco estudantes universitários, quatro do ensino secundário, um professor, um jornalista e três polícias", destacou a comissão na terça-feira. A Comissão advertiu que "grande parte da informação que circula através de redes sociais não é a melhor maneira de alimentar a verdade", e pediu "factos de fontes confiáveis e imparciais".

Além disso, reiterou uma profunda preocupação com a contínua violação dos Direitos Humanos e da segurança dos cidadãos nicaraguenses. "Acreditamos que o exercício do diálogo pacífico e transparente é o único meio para resolver as legítimas aspirações do nosso povo e assim alcançar a justiça e estabelecer o caminho definitivo para uma paz duradoura", afirmou.

A Comissão tem um período de três meses, que termina a 5 de Agosto, para investigar os mortos, feridos, desaparecidos, presos e torturados durante os violentos protestos em curso na Nicarágua desde 18 de Abril, de acordo com o mandato definido pelo Parlamento.

O padre franciscano Uriel Molina Oliu, a activista dos direitos dos indígenas e ex vice-presidente Miskito Mirna Cunningham, o vice-reitor da Universidade Nacional Autónoma da Nicarágua, Jaime Lopez Lowery, o vice-procurador geral de Direitos Humanos do país, Adolfo Jarquín, e o académico e intelectual Cairo Amador integram a comissão.

A oposição nicaraguense e as organizações não-governamentais do país consideraram tratar-se de uma comissão parcial, por ter sido exclusivamente feita por deputados aliados do Presidente, Daniel Ortega, e de Rosario Murillo, sua mulher e vice-presidente.

Os protestos na Nicarágua contra a administração de Daniel Ortega estão a decorrer desde 18 de Abril. Começaram por estar relacionados com uma reforma da Segurança Social, entretanto abandonada, mas subiram de tom por causa da violência das autoridades contra os manifestantes, na sua maioria estudantes.