Verão da Casa da Música põe Remix Ensemble a militar pela causa LGBT e leva orquestras residentes a São Pedro do Sul

Entre os 150 eventos que terão lugar de Junho a Setembro, destaque para o concerto The Gender Agenda, para ensemble, vídeo e coro comunitário, do britânico Philip Venables, e para a visita a zonas afectadas pelos incêndios de 2017.

Concerto da Orquestra Sinfónica do Porto com Gregory Porter, no Verão de 2017, em Matosinhos
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Concerto da Orquestra Sinfónica do Porto com Gregory Porter, no Verão de 2017, em Matosinhos Casa da Música

Concertos diários de música portuguesa no mês de Agosto, o Remix Ensemble a estrear em Portugal uma obra que milita pela causa LGBT, a primeira actuação a solo do Coro Infantil, mais espectáculos fora das paredes da Casa da Música e também fora dos muros do Porto, que hão-de inclusivamente chegar a São Pedro do Sul, em Setembro, com as orquestras sinfónica e barroca da instituição a levarem música às populações afectadas pelos incêndios do ano passado… São alguns destaques do Verão na Casa da Música, cuja programação foi apresentada esta quarta-feira.

“Vamos ter 150 eventos, 65 dos quais com entrada livre, e esperamos para cima de 120 mil espectadores neste que será o maior festival de Verão em Portugal”, anunciou António Jorge Pacheco, director artístico da Casa da Música, realçando que este programa, com a sua particular atenção aos públicos das escolas, se enquadra no compromisso da instituição de cumprimento do serviço público, tal como define a sua carta de princípios.

O programa de Verão da Casa da Música abre já esta sexta-feira, 1 de Junho, com um espectáculo de acesso gratuito concebido pelo Serviço Educativo (SE), Os meus direitos, que assinalará o Dia Mundial da Criança: será “um concerto quase de intervenção" para recordar a Declaração Universal dos Direitos da Criança, que a ONU aprovou em 1959. Ainda no mesmo mês, no dia de São João (24 de Junho), o Coro Infantil Casa da Música fará a sua estreia a solo, depois da sua primeira apresentação na Sala Suggia em Outubro, com a formação de 40 vozes a ser dirigida por Raquel Couto.

Mas o acontecimento de Junho na Casa da Música será a estreia portuguesa, no dia 19, de duas peças encomendadas pela Art Mentor Foundation Lucerne, da Suíça, e cuja apresentação simultânea na Sala Suggia, num concerto intitulado Ouve. Participa!, estará a cargo do Remix Ensemble. Trata-se de The Gender Agenda, para ensemble, vídeo e coro comunitário, do britânico Philip Venables (com o coro comunitário a ser constituído por alunos do Balleteatro), e Orango, para ensemble, vídeo e electrónica, do italiano Oscar Bianchi. Jorge Prendas, responsável pelo SE da Casa, assistiu à estreia em Londres, em Abril, de The Gender Agenda, e adianta que o espectáculo simula um concurso televisivo com uma equipa feminina e outra masculina em confronto, transformando-se “num autêntico cabaret musical em que Venables, de modo irónico e muitas vezes sarcástico, questiona as questões de género, com uma linguagem bastante dura”. A fronteira entre palco e plateia, promete a Casa da Música, vai ficar mais esbatida.

António Jorge Pacheco chama também a atenção para quatro momentos do Ano Áustria, os três primeiros com a Orquestra Sinfónica do Porto (OSP): mais uma Sinfonia de Bruckner, a 6.ª (2 de Junho), e mais um Concerto para violino e orquestra de Mozart, o n.º3 (8 de Junho), este interpretado pelo multipremiado Benjamin Schmid com o seu violino Stradivarius; e também o regresso de Georg Friedrich Haas, o compositor em residência este ano no Porto, desta vez com o seu primeiro Concerto Grosso, em que opõe à massa orquestral o som de quatro trompas alpinas.

Ainda em Junho (dia 16), o Ciclo de Piano vai contar com Ingolf Wunder, “o pianista austríaco mais reputado da nova geração”, a interpretar obras de Mozart, Beethoven e Chopin.

Outros concertos marcarão a agenda do Verão na Casa: no jazz, o regresso a Portugal do saxofonista norte-americano Joshua Redman (10 de Julho), em formação de quarteto (com Billy Hart, bateria, Ethan Iverson, piano, e Ben Street, baixo); e dois novos desafios à Orquestra Jazz de Matosinhos, primeiro com a voz do ex-Ornatos Violeta Manel Cruz (9 de Junho), depois retomando a parceria com Sérgio Godinho (27 de Julho, em Matosinhos).

No mesmo palco matosinhense, ao ar livre, da Praça de Guilhermina Suggia, no dia 28 de Julho, a OSP vai tocar temas de Pedro Abrunhosa a partir de arranjos de Pedro Moreira. E esta é já uma das várias saídas da orquestra para fora dos muros da Casa da Música. Irá também apresentar-se em Gaia (Arrábida Shopping, 22 de Junho) e na Maia (Praça Dr. José Vieira de Carvalho, 14 de Julho).

Em Setembro, a OSP volta também à já tradicional rentrée na Baixa do Porto, desta vez – e é uma novidade – com a Orquestra Barroca (Avenida dos Aliados, dias 7 e 8). A formação barroca vai ser dirigida pelo maestro e violinista russo Dmitry Sinkovsky, um dos grandes intérpretes actuais d’As Quatro Estações, de Vivaldi, peça que marca um reportório de recorte popular e a pensar em grandes plateias. São também estas duas formações da Casa que, nos mesmos dias, alternadamente, farão a viagem solidária a São Pedro do Sul. Para ajudar – tanto quanto isso for possível – a esquecer as feridas dos incêndios do ano passado; e na expectativa de que eles não voltem a acontecer neste Verão.