Coliseu ensaia entrada no Novo Circo com festival internacional

O palco do circo de natal no Porto abre-se em Setembro a novos criadores e criações, e espalha-as por algumas ruas da cidade.

Dança moderna, teatro musical, dança
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Os franceses Lapsus, apresentam o espectáculo Six Pieds Sur Terre DR/Luís Montero
Longboard, Longboard
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Zircus Morsa vai para a Praça dos poveiros apresentar La Fin Demain DR
Arte performática, dança, teatro
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Clement Dazin, a solo, apresenta Bruit de Couloir DR/Michel Nicholas
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A CIE HMG apresenta a pewrformance 3D DR/Haster Bakker
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Sol Bemol é o espectáculo de D'Irque & Fien DR/Haster Bakker

Uma dúzia de companhias, 40 apresentações de espectáculos dentro de portas e em alguns espaços públicos do Porto, tudo com entrada livre, entre 13 e 16 de Setembro. O Coliseu, a casa do velho circo – o de Natal, de muitas boas memórias de infância – abre-se às reinterpretações contemporâneas das artes circenses, naquela que é também uma estreia na produção própria e na dinamização de iniciativas com impacto na comunidade. 

Os franceses Lapsus, com o espectáculo Six Pieds Sur Terre, Cie HMG, com 3D, e Clément Dazin (Bruit de Couloir), o duo de acrobatas alemães Zircus Morsa, com La Fin Demain, e os belgas D’Irque & Fien, premiados no ano passado em Valladolid com a produção Sol Bemol, são alguns dos destaques desta primeira incursão do Coliseu num festival de Novo Circo. Uma iniciativa que cruza, na programação, as criações, o debate, numa conferência internacional, e um projecto de produção e intervenção na cidade, o circo social, e que tem por isso o apoio do Programa Operacional Regional Norte 2020, que garante 85% dos 180 mil euros de orçamento.

Desde o consulado de Isabel Alves Costa – que pôs a cidade, através do Rivoli – a aprender a ver o circo para lá do tradicional espectáculo de Natal do Coliseu, que o Porto não dava tanto palco a estas novas formas de expressão circenses. Que, principalmente a partir de França, criaram também raizes por cá, com o aparecimento de alguns projectos artísticos e festivais, como o Cata-Vento, de Vila do Conde ou o Festival Internacional Vaudeville Rendez-Vouz, em Braga, Guimarães e Famalicão.

Com a chegada de Rui Moreira à câmara, e de Paulo Cunha Silva ao pelouro da Cultura, o município voltou, em 2013, a dar atenção a esta, como a outras artes de palco, apoiando, por exemplo, a companhia Erva Daninha na organização do festival Trengo, e não espanta por isso que a Câmara do Porto, e a Porto Lazer, sejam parceiros do Coliseu nesta iniciativa, agilizando com a organização a componente de rua. O Festival internacional de Circo do Porto prevê actuações em espaços públicos como a Praça dos Poveiros, o Largo de Santo Ildefonso, a Praça da Batalha e o Jardim de São Lázaro, para além do próprio Coliseu, o Chapitô da cidade, como lhe chamou o presidente da Associação dos Amigos do Coliseu,  Eduardo Paz Barroso,

A programação está a cargo de João Paulo Santos, um artista com um percurso já reconhecido que considerou que este festival vai permitir ao país “recuperar o atraso” em relação a outros países em que estas formas de expressão têm mais palco e dará aos artistas portugueses a oportunidade de contacto com espectáculos “inspiradores”. O acrobata não quis destacar nenhuma das primeiras cinco criações reveladas durante a apresentação, garantindo apenas que o programa será ecléctico nas formas de expressão.

João Paulo Santos expressou o desejo de que este venha a ser um festival com continuidade, mas nada disso está, neste momento assumido, explicou Paz Barroso, argumentando que apesar de garantido o apoio europeu para uma primeira edição, o Coliseu não sabe se encontrará forma de financiar o evento em próximos anos. O presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte e gestor do Norte 2020 considerou saudável que projectos como este tenham de “dar prova” da sua importância e impacto junto da comunidade, e instou o Coliseu a convidar escolas de todo o Norte do país a viajarem até ao Porto para assistir a alguns espectáculos.

Já o director regional de Cultura, António Ponte, que representa o Estado na direcção dos Amigos do Coliseu, destacou a aposta desta sala na criação própria e sublinhou a coincidência de tal acontecer no momento em que o Novo Circo e as Artes de Rua passam a ser elegíveis para apoios da Direcção-Geral das Artes. Paz Barroso assumiu que o festival tinha sido pensado para os 75 anos do Coliseu, no ano passado, mas acabou por resvalar no tempo. Depois desse percalço, em Setembro a cortina abre-se.