Míssil que abateu MH17 era do Exército russo, conclui investigação

O avião da Malaysia Airlines caiu com 298 pessoas a bordo no Leste da Ucrânia em 2014, durante o conflito entre o Exército ucraniano e os rebeldes pró-russos.

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Destroços do avião da Malaysia Airlines que caiu na Ucrânia em Julho de 2014 Reuters/MAXIM ZMEYEV

O míssil que abateu o avião da Malaysia Airlines que sobrevoava a Ucrânia no Verão de 2014 foi disparado por um sistema antiaéreo que pertencia ao Exército russo, de acordo com as conclusões de uma equipa internacional de investigadores.

O sistema de mísseis BUK, de fabrico soviético, pertencia à 53.ª Brigada Anti-Aérea do Exército russo sedeada em Kursk (a pouco mais de cem quilómetros da fronteira ucraniana), esclareceu o porta-voz da equipa liderada pela Holanda, Wilbert Paulissen, durante uma conferência de imprensa esta quinta-feira. Depois do derrube do avião, o aparelho voltou a atravessar a fronteira para a Rússia.

A equipa de investigadores já tinha atribuído responsabilidades aos rebeldes pró-Moscovo que combatem na Ucrânia, mas agora parece ter reunido provas suficientes que permitem identificar com precisão a origem do sistema anti-míssil.

"Todos os veículos que escoltavam e transportavam o míssil faziam parte das forças armadas russas", afirmou Paulissen.

O Ministério da Defesa russo garantiu que o Exército nada teve a ver com o derrube do avião comercial e que não houve qualquer sistema de mísseis a atravessar a fronteira com a Ucrânia.

Foram analisadas várias imagens do sistema antiaéreo, que permitiram construir uma espécie de "impressão digital" do aparelho, explicaram os investigadores. "Esta impressão digital foi comparada com várias imagens de BUK-TELARS, tanto ucranianos como russos. O único em que esta combinação de características foi encontrada, foi um BUK que foi filmado várias vezes quando se juntou ao contingente da 53.ª Brigada entre 23 e 25 de Junho de 2014", afirmaram.

Os responsáveis

O próximo objectivo da equipa é identificar os participantes directos no lançamento do míssil. Os investigadores deixaram um apelo público para que lhes façam chegar informações sobre a identidade dos operadores do sistema.

"Quem fez parte da tripulação? Com que instruções é que o activaram? Quem foi responsável pela instalação operacional deste BUK-TELAR a 17 de Julho de 2014? Estamos convencidos que há muita gente que tem estas informações", afirmou Paulissen.

Em 2016, os procuradores holandeses disseram ter uma lista de 100 "pessoas de interesse" identificadas pelos investigadores, mas cujo nome não foi ainda revelado. O desfecho mais provável, diz a Reuters, é que os acusados sejam julgados na Holanda in absentia, uma vez que a Rússia chumbou uma resolução apresentada ao Conselho de Segurança da ONU para que fosse criado um tribunal internacional exclusivamente para julgar este caso.

O voo MH17 tinha partido de Amesterdão e destinava-se a Kuala Lumpur, quando foi abatido por um míssil a 17 de Julho de 2014, numa altura de intensos combates no Leste da Ucrânia. A queda causou a morte a todos os 298 passageiros que seguiam a bordo, na sua maioria de nacionalidade holandesa.

A equipa de investigadores é liderada pelas autoridades policiais holandesas e conta com o apoio da Austrália, Bélgica, Malásia e Ucrânia.

A responsabilidade pela queda do Boeing 777 tem sido altamente contestada entre Kiev e Moscovo. As autoridades ucranianas acusam a Rússia de ter fornecido o sistema antiaéreo aos rebeldes que ocupam grande parte do território ucraniano e que abateram o avião julgando tratar-se de um aparelho militar inimigo.

O Kremlin nega qualquer apoio militar aos grupos separatistas e diz que as forças ucranianas são responsáveis pela queda do avião.

O teor das conclusões da investigação promete afundar ainda mais as relações entre a União Europeia e a Rússia, pouco tempo depois de o envenenamento do ex-espião Serguei Skripal no Reino Unido ter motivado a maior expulsão de diplomatas russos de países ocidentais desde a Guerra Fria.