Editorial

Enquanto Maduro dança, a Venezuela morre

Quando Maduro cair de podre, a única dúvida que restará será quanto ainda se consegue salvar da nação venezuelana.

Com um país a morrer à fome, Nicolás Maduro vai passar o dia a manipular mais um exercício supostamente democrático na Venezuela. Vai cometer mais um crime contra o seu país e os seus cidadãos, depois de os trair e de os deixar entregues à fome e à doença. A Venezuela tem taxas recorde de emigração, níveis de homicídio galopantes e uma taxa de hiperinflação que bate recordes todos os meses. Mas a preocupação do herdeiro de Chávez é continuar agarrado ao poder e prosseguir a destruição de um país que em tempos foi rico.

As figuras maiores da oposição estão, como seria de prever, impedidas de concorrer às eleições. Leopoldo López e Henrique Capriles foram proibidos de aparecer no boletim de voto, o que os leva a encetar um boicote que ajuda a reforçar a ausência de credibilidade deste escrutínio. Como todo o processo é ridículo, não será de esperar outro resultado que a vitória de um líder incompetente que tem as mãos sujas com a morte dos compatriotas. Como a oposição pediu aos venezuelanos para ficarem em casa, Maduro mandou os seus homens correr de porta em porta alertando que quem se abstiver deixa de ter acesso aos subsídios de pobreza – e vai controlando com migalhas quem está prestes a morrer à fome.

As cinco mil pessoas que diariamente abandonam o país sabem por que o fazem. Porque precisam de comer, porque precisam de medicamentos para as suas doenças e porque precisam de ver um futuro que não os condene à morte. Este é o verdadeiro legado de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro, nomes que ficarão nos livros de História ao lado dos maiores facínoras.

Washington aproveitou a oportunidade para sancionar mais algumas figuras do topo da hierarquia do regime de Maduro enquanto o resto do mundo aponta o dedo à vacuidade do exercício de hoje. Os vizinhos já excluíram a Venezuela da Cimeira das Américas, porque não querem ser vistos ao lado de Maduro; a União Europeia usou o Prémio Sakharov para deixar a mensagem clara: mais do que um problema político, a Venezuela é uma questão de direitos humanos e a razão está do lado de quem se opõe a Maduro. Quando este cair de podre, a única dúvida que restará será quanto ainda se consegue salvar da nação venezuelana. Mas, durante a campanha, Maduro dançou – e hoje dará mais um baile à democracia.