No Aconchego do Quintal só entra “comida de verdade”

Grande parte do que é servido neste espaço de São João da Madeira vem da horta que as proprietárias têm em casa. Comida processada não entra e no menu há opções sem glúten, lacticínios ou açúcar.

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Paulo Pimenta
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“Façam de conta que estão em vossa casa.” Foi desta forma que as portas de Aconchego do Quintal se abriram para a Fugas. Fica em São João da Madeira e é um espaço onde só “comida de verdade” está autorizada a entrar.

Aconchego do Quintal nasce sob o conceito farm to table (do campo à mesa). E por uma razão muito simples: a maior parte dos produtos servidos vêm directamente do quintal das proprietárias, Francisca Feiteira e Dilma Fernandes. “Tudo o que nós servimos, ou a grande maioria, procuramos que seja o mais sazonal possível”, conta-nos Francisca. E quando não vêm do quintal chegam de produtores locais com quem têm parcerias, como é o caso da Casa Agrícola de Arouca. Não é, portanto, difícil decifrar o nome do estabelecimento. “Aconchego” porque querem que as pessoas se sintam em casa quando lá vão. E “Quintal” porque queriam “que tivesse essa tal parte que remetesse ao campo, à horta, que remetesse para o verde”.

Tudo começou quando Francisca ainda estava no Brasil, a trabalhar numa empresa de alimentos biológicos. E foi durante uma conversa com a sua mãe, Dilma, que a ideia começou a ser construída. “Temos a nossa horta, podíamos fazer alguma coisa com isso”, dizia-lhe. E foi o suficiente para a convencer a regressar: juntas, mãe e filha decidiram que iam abrir um espaço.

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Aberto das 9h às 18h, servem pequeno-almoço, almoço ou lanche. Para a primeira refeição do dia há torradas, papas de aveia ou iogurte com granola. É numa lista improvisada, escrita num quadro de ardósia, que os clientes lêem as opções disponíveis para o almoço. Dela faz sempre parte uma salada com grão acompanhada com legumes da estação e depois um “prato mais quentinho, mais substancial”, explica-nos Francisca. Também pode ser servido caril, ovos mexidos com presunto, tostas, a feijoada (branca e preta) ou o arroz negro, “que normalmente leva espinafres feitos com bechamel de caju e cogumelos ou ovos escalfados”. A acompanhar há cervejas artesanais, vinho a copo ou sumos naturais do dia. Além de restaurante, o Aconchego funciona também como uma espécie de mercearia. Logo à entrada, não dá para desviar o olhar da grande variedade de produtos alimentares que enchem as prateleiras até ao tecto: há granolas, manteigas, pão, cervejas artesanais, biscoitos ou frutos secos.

A decoração foi toda pensada ao pormenor e por isso nada está colocado ao acaso. Há dispensadores fixados na parede com uma grande diversidade de produtos: sementes, lentilhas, quinoa (preta e vermelha), feijão, amêndoas, trigo e muito mais. Há um relógio estrategicamente posicionado no centro de uma parede (não vá alguém correr o risco de se esquecer que são horas de comer). O balcão funciona como uma montra para as sobremesas. O mais difícil poderá ser mesmo escolher. Há brownies de batata-doce, cru ou com 70% de cacau com pistachos. E o melhor? “Todos eles sem nenhum tipo de açúcar. São feitos com farinha de amêndoa, sem lacticínios e sem farinhas refinadas.” Muitas vezes também há muffins ou um bolo “mais tradicional”, como por exemplo o bolo de maçã. Não esquecer o cheese cake, “uma das sobremesas mais famosas”.

No Aconchego, vinca Francisca, só há “comida com sabor a comida”. “Nós às vezes até nos esquecemos do sabor das coisas. E aqui nós voltámos com esses sabores.” E talvez seja por isso que a “casa está sempre cheia”. É também para que não se percam os sabores que iniciaram o curso “cozinha de verdade para o dia-a-dia”. Nele, vão ensinar a cozinhar receitas com ingredientes frescos, sazonais e naturais. Todas elas “simples” e “rápidas” de confeccionar. Quem tiver interesse e quiser mais informações basta enviar um email para [email protected].

O Aconchego do Quintal é, então, um convite a todos aqueles que gostam de comer. Isto porque as “pessoas que gostam de comer são sempre as melhores pessoas”, como não deixa mentir uma das placas decorativas por lá penduradas.

Texto editado por Sandra Silva Costa