Escadarias da sede da Galp foram palco de “aula” contra prospecção

O protesto visou criticar a decisão de avançar com o furo de pesquisa de petróleo, ao largo de Aljezur.

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Protesto reuniu cerca de cinco dezenas de pessoas DR

Uma "aula" sobre alterações climáticas teve como "sala" as escadarias da sede da Galp Energia, em Lisboa, numa iniciativa do movimento Climáximo contra a prospecção de petróleo ao largo de Aljezur pela petrolífera portuguesa, que aconteceu nesta sexta-feira.

A "lição", dada pelo biólogo marinho Gil Penha-Lopes, da Faculdade de Ciências de Lisboa, teve como "alunos" 50 pessoas, algumas empunhando, sentadas, cartolinas coloridas em que se lia "Galp não entende as alterações climáticas" ou "Não furem o nosso futuro! Sol, marés e vento, petróleo para quê?".

Por detrás dos "alunos", uma outra plateia, 13 polícias, que, além de terem assistido à "aula", barraram a entrada de participantes e organizadores da iniciativa no interior do edifício da empresa onde se pretendia que acontecesse a palestra. "Muito bem preparados contra a ciência", ironizou Sinan Eden, activista do Climáximo, movimento contra a exploração de gás e petróleo, dirigindo-se aos agentes da PSP que se perfilavam à porta da Galp Energia.

Não podendo entrar, as pessoas sentaram-se nas escadarias e, durante meia hora, ouviram a "lição", empunhando também, algumas delas, telemóveis com que filmaram o momento, para espalhar a "mensagem" pelas redes sociais.

A iniciativa do movimento Climáximo, à qual foram indiferentes funcionários da Galp e transeuntes, aconteceu dois dias depois de ser conhecida a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente de isentar a prospecção de petróleo ao largo de Aljezur, no Algarve, de Estudo de Impacte Ambiental, por falta de "impactos negativos significativos".

Gil Penha-Lopes discorreu sobre os malefícios da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, para a sobrevivência do planeta, lembrando que a libertação de mais carbono para a atmosfera conduz ao aumento da temperatura que, por sua vez, leva ao degelo, à subida do nível do mar, à deslocação de habitantes de zonas costeiras, à acidificação dos oceanos e à extinção de espécies marinhas que são a "base da cadeia alimentar".

A esta lista de consequências, o investigador e professor acrescentou os fenómenos meteorológicos extremos, como as ondas de calor, as secas ou as inundações, assinalando que o Sul da Europa, onde Portugal está inserido, é uma das regiões mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas.

No final da "aula", justificando à Lusa por que acedeu ao convite do Climáximo, Gil Penha-Lopes disse que é "sensível a movimentos cívicos" que exigem das empresas "a alteração de estratégias" em nome do ambiente e da ciência.

João Camargo, activista do movimento que se apresentou à assistência como um ex-aluno, de facto, de Gil Penha-Lopes, referiu à Lusa que a iniciativa, a primeira de várias que estão prometidas, serviu para enfatizar o "total desprezo" da Galp com "a ciência climática" ao "ir à procura de mais petróleo".