Quase cinco meses depois, a Catalunha já tem novo president

O parlamento autonómico acaba de investir Quim Torra como presidente nº 131 da Generalitat, abrindo caminho ao fim da intervenção de Madrid na região.

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Quim Torra durante o debate de investidura Albert Gea/Reuters
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Os aplausos dos independentistas depois da votação Andreu Dalmau/EPA

Candidatos houve muitos, mas só um até agora tinha chegado a tentar ser eleito (Jordi Turull, membro da coligação do líder deposto, Carles Puigdemont, Juntos pela Catalunha, foi preso entre a primeira tentativa e a segunda votação, em Março).

Quim Torra foi o segundo deputado catalão saído das eleições de Dezembro a apresentar perante os restantes parlamentares o seu programa – foi eleito com 66 votos a favor (JxCat e ERC), 65 contra (Cidadãos, PP, PSC e os comuns) e quatro abstenções, as dos deputados independentistas e de esquerda da CUP.

Quase cinco meses depois da votação dos catalães, a 22 de Dezembro, numas eleições marcadas por Mariano Rajoy, e sete meses depois de este ter assumido a governação da região, aplicando pela primeira vez um artigo da Constituição (155) que permite a Madrid suspender e dissolver as instituições eleitas numa comunidade, os catalães vão voltar a ter um governo composto por pessoas que elegeram.

O 155 deixa de estar em vigor quando Torra e o governo que este nomear tomarem posse. Para isso ainda é preciso que o rei Felipe VI aprove a sua nomeação; em seguida, Madrid, que avisa que vigiará de perto o novo president, terá de transferir o poder de volta às instituições catalãs.

É o princípio do regresso a alguma normalidade, mas não o fim do processo: para além dos dirigentes presos e dos que saíram do país para evitar a cadeia, que os partidos independentistas consideram “presos políticos” ou exilados, o próprio Torra é tão ou mais independentista do que Puigdemont ou Oriol Junqueras (o vice do executivo deposto, líder da Esquerda Republicana da Catalunha e detido há meses).

“Fazer república”                                                                

Torra agradeceu a generosidade e responsabilidade de Puigdemont. “Acabaremos por investi-lo”, disse, ecoando que deputados da JxCAT e até da ERC prometem desde as eleições (o C´s, liderado Inés Arrimadas foi o partido mais votado, mas as duas forças independentistas repetiram a maioria e a coligação formada a partido de Bruxelas pelo ex-líder foi a mais votada). Depois, dirigindo-se aos eleitos da ERC, assegurou que vão “trabalhar bem” em conjunto, pois têm “o mesmo objectivo, fazer república”. Isto num discurso que fez questão de terminar com o grito, em catalão, “Viva a Catalunha Livre”.

E insistindo na abertura ao diálogo com Madrid que todos os candidatos a líderes ou dirigentes mais importantes do campo independentista fazem sempre que o momento o justifica, Torra assegurou que basta uma chamada de Rajoy para que possam encontrar de imediato.

Ao contrário dos primeiros candidatos que os independentistas tentaram ver investidos – Carles Puigdemont, Jordi Sànchez e o ex-conselheiro (ministro) Jordi Turull, Torra não está a ser investigado por causa do referendo de 1 de Outubro ou da posterior declaração de independência. Nem tribunais nem a Moncloa (sede do Governo) colocaram quaisquer objecções ao seu nome.

Espera-se por isso que o rei assine a nomeação de Torra e Rajoy transfira os poderes para a Catalunha numa questão de dias.

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