O computador sujo de Janelle Monáe

A norte-americana lançou Dirty Computer, o seu terceiro disco, que é, ao mesmo tempo, um álbum visual de 48 minutos a que chama "emotion picture”. Os convidados incluem Brian Wilson, Zoë Kravitz, Grimes e Pharrell Williams.

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Monáe diz que o seu “propósito como artista” é perceber como “celebrar aqueles que são marginalizados e oprimidos” paulo pimenta

Passados cinco anos desde a edição de The Electric Lady, o seu segundo álbum, Janelle Monáe, cantora e compositora de r&b (e não só) norte-americana que se notabilizou no início da década de 2000 a cantar em álbuns de OutKast e se lançou a solo em 2010 com The ArchAndroid, lançou no final de Abril Dirty Computer. À semelhança do que Beyoncé fez com Lemonade em 2016, o disco é acompanhado por um vídeo de 48 minutos, um "emotion picture", como lhe chama a cantora, disponibilizado na íntegra no YouTube.

O filme de ficção científica, passado num futuro próximo e co-realizado por Andrew Donoho e Chuck Lightning, tem como protagonista Monáe, que entre o segundo e o terceiro disco revelou a faceta de actriz em Moonlight ou Elementos Secretos. Ela faz de Jane 57821, uma humana (no mundo distópico que Monáe tem vindo a criar nos seus álbuns chama-se "computadores" aos humanos) cujas memórias são apagadas para as suas emoções serem reprogramadas. Além da cantora, o filme conta com a participação de Tessa Thompson, de filmes como CreedThor: Ragnarok ou Aniquilação e da série Westworld – não é o único projecto da actriz com músicos: é uma das estrelas do vindouro Sorry to Bother You, a estreia na realização de Boots Riley, do grupo de rap The Coup.

Na parte da música, os convidados incluem o Beach Boy Brian Wilson, a acrescentar harmonias de voz à faixa inicial, a actriz (e filha de Lisa Bonet e Lenny Kravitz) Zoë Kravitz, a cantora e compositora de música electrónica Grimes e Pharrell Williams. Prince, amigo e colaborador da cantora que morreu em 2016 e não chegou a ouvir o disco, deu dicas a Monáe para seguir uma direcção mais synth-pop, com muito de Gary Numan; essa influência está chapada em Make Me Feel, um dos primeiros singles de Dirty Computer.

Recentemente, Monáe assumiu-se, numa entrevista à Rolling Stone, como pansexual (alguém cuja atracção e desejo sexual não se cinge a pessoas de uma certa identidade de género nem orientação sexual), e tanto o álbum quanto o filme têm essa vertente queer e feminista muito patente, com a cantora a revelar muito mais dela própria do que alguma vez tinha feito. Já ao Vulture, o site da revista New York, Monáe disse que o seu "propósito como artista" é perceber como é que pode "celebrar aqueles que são marginalizados e são oprimidos", e que "queria fazer algo que falasse do apagamento de pessoas oprimidas, e como isso está a acontecer agora".