Crítica

O regresso de Harry Potter chega no ecrã mais pequeno

Desta vez, o ano é 1981 e Harry Potter é só um bebé. Instalar o jogo é grátis, mas há imensas oportunidades para gastar dinheiro.

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Os criadores queriam que o jogo tivesse algumas das personagens preferidas dos fãs
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Por vezes, é preciso esperar para repor a energia

“O Harry Potter sobreviveu.” É assim que começa a aventura em Hogwarts a Mystery, o mais recente projecto no universo ficcional da autora britânica J.K. Rowling, desta vez adaptada ao ecrã mais pequeno, o do smartphone. Os fãs de Harry Potter podem agora voltar à escola de magia com um jogo de telemóvel narrado pelas vozes da actriz Maggie Smith, no papel da professora McGonagall, e Michael Gambon, no papel de Albus Dumbledore. O jogo é grátis, mas pode-se pagar para desbloquear algumas aventuras antecipadamente. 

Desta vez, porém, a personagem principal é o próprio jogador, uma rapariga ou rapaz de onze anos que acabou de receber a sua carta para entrar na escola de feitiçaria de Hogwarts. Infelizmente, o irmão mais velho desapareceu depois de ficar obcecado com cofres secretos escondidos na escola, deixando alunos e professores desconfiados sobre a família. Embora existam algumas personagens conhecidas, como o rígido professor Severus Snape e o director da escola, o jogo passa-se numa época de que os fãs sabem pouco: logo depois de o vilão da saga literária, Lord Voldemort, ser temporariamente derrotado pelo bebé Potter, em 1981.

“Escolhemos um período em que os professores e personagens preferidos dos fãs estão a trabalhar na escola, mas  em que temos liberdade para contar a nossa própria história sem ter de a relacionar com a aventura nos livros. Queriamos algo novo”, explica ao PÚBLICO Matt London, que desenvolveu a narrativa do jogo 

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Maggie Smith regressa no papel da Professora McGonagall. O Português (do Brasil) está entre as opções de legendas

O projecto, que começou em 2016, resulta de uma parceria entre a Warner Bros, o criador de jogos móveis Jam City e a Portkey Games que foi criada para permitir a programadores desenvolver novos jogos sobre o universo de Harry Potter. Divide-se em sete níveis (um por cada ano de estudo em Hogwarts), com vários desafios cada.

O PÚBLICO experimentou o jogo. Entre os pontos positivos, estão a narrativa sobre o que terá acontecido ao irmão da personagem principal (que lembra o tom dos livros), a banda sonora e o cenário. Os programadores basearam-se nos estúdios onde se filmaram os filmes de Harry Potter, no Reino Unido, e no parque de diversões, em Orlando, nos EUA, para melhor recriar os cenários já conhecidos pelo público. Como qualquer videojogo da saga, é interessante explorar o castelo livremente e reparar em detalhes como as cozinhas escondidas nas masmorras (algo que só se descobre no quarto livro de Harry Potter).

Por outro lado, o jogo é fremium. Embora instalá-lo seja grátis, há imensas oportunidades para gastar dinheiro. Seja para desbloquear novos penteados e roupas para os personagens, ou para ter pontos de energia suficiente para avançar a narrativa. Quando não se paga, por vezes, tem de se esperar várias horas até poder jogar o próximo nível ou acabar um desafio. É algo que deixou vários fãs a queixarem-se nas redes sociais. 

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Por vezes, é preciso esperar ou pagar para continuar o jogo

Matt London argumenta, no entanto, que “todas as opções do jogo estão disponíveis gratuitamente” e que a diferença é que se tem de esperar quando não se quer pagar. “Não percebo como é diferente de ver uma série ao longo de várias semanas quando passa na televisão, ou pagar para ver todos os episódios de uma vez”, diz London.

O modelo de microtransacções é popular entre empresas de jogos para smartphone, porque permite que todas as pessoas possam jogar. As empresas ganham mais dinheiro com quem tem um orçamento maior, mas também aumentam a base de fãs com os jogadores que não pagam.

E há algumas surpresesas escondidas no jogo de Harry Potter.  Como o PÚBLICO descobriu, alguns objectos e personagens no castelo dão pontos de energia quando se carrega neles. Entre eles, está o elfo ao pé das cozinhas, uma tocha no grande salão e alguns quadros espalhados pela castelo. São conhecidos no mundo dos videojogos como Easter Eggs (mensagens, piadas privadas ou funcionalidades secretas escondidas numa obra).

Excluindo a narrativa, a maioria do jogo em si resume-se a clicar em objectos (por exemplo, para fazer poções durante as aulas), pressionar o ecrã quando um círculo se encontra dentro de limites específicos, e deslizar os dedos para copiar padrões de feitiços. Os mini-jogos mais dinâmicos são desafios de escolha múltipla para convencer algumas personagens a revelarem uma nova parte do mistério. Os criadores dizem que foi propositado para dar foco à nova história que cada jogador define através das escolhas que faz. 

Além do nome e personalidade do protagonista, cada jogador pode escolher a sua casa em Hogwarts (uma espécie de equipa), bem como os amigos e inimigos que faz. “Há personagens únicas e desafios diferentes em cada casa e opção, mas a narrativa principal é sempre a mesma", diz London. "Mais do que um jogo, queríamos contar uma nova história no universo de Harry Potter."

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Há vários mini-jogos no universo de Harry Potter para smartphone

O jogo está disponível para Android e iOS.