O temido Golden State Killer foi detido mais de 30 anos depois

Antigo agente da polícia norte-americano foi detido por ser suspeito de uma série de assassinatos e violações que atormentaram o estado da Califórnia há décadas. As amostras de ADN foram a chave para resolver o caso.

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Uma fotografia do suspeito dos crimes, Joseph James deAngelo LUSA/JOHN G. MABANGLO
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Reuters/FRED GREAVES

Joseph James deAngelo, suspeito de ser um assassino em série, foi detido esta semana – o seu nome é pouco conhecido, e também o foi para as autoridades durante décadas. Quando a sua verdadeira identidade era ainda uma incógnita, deAngelo era mais conhecido como Golden State Killer, o responsável por espalhar o pânico na Califórnia das décadas de 1970 e 1980, altura em que se registou uma série de homicídios, roubos e violações em várias zonas do estado norte-americano, crimes esses que não chegavam a ser resolvidos. Segundo o New York Times, o antigo polícia poderá ter sido responsável pela morte de 12 pessoas, pela violação de pelo menos 45 e ainda pelo roubo de mais de 120 casas.

Agora com 72 anos, deAngelo foi detido esta terça-feira na sua casa na cidade californiana de Sacramento, a pouco mais de meia hora do local onde começaram os crimes. “Encontrámos a agulha no palheiro, e estava aqui mesmo em Sacramento”, disse a procuradora da cidade, Anne Marie Schubert, uma das mentoras da equipa de investigadores que encontrou o suspeito. O serial killer foi identificado depois de o ADN encontrado em dois dos homicídios (que datam de 1980) coincidir com o de Joseph James deAngelo.

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Um dos retratos policiais do suspeito feito na altura dos crimes REUTERS

O famigerado Golden State Killer (“golden state”, estado dourado, é a alcunha dada ao estado da Califórnia), era também conhecido como o violador de East Area ou por Original Night Stalker. Mas a sua fama vinha da crueldade dos seus crimes: planeava meticulosamente os seus ataques e violava mulheres que estavam ora sozinhas em casa, ora a tomar conta dos filhos. Chegou a violar mulheres em frente aos maridos, acabando por matar ambos. Usava luvas e atacava de cara tapada, ameaçando as vítimas com facas.

Ainda que, à data, tivessem sido nomeadas equipas de investigação para resolver os crimes, o caso caiu no esquecimento quando os homicídios e as violações perpetradas pelo assassino em série pareceram chegar a um fim. Mais de 30 anos depois, a investigação foi retomada e o interesse ressuscitado com a chegada de um livro e de um documentário sobre os seus crimes. Também a polícia ofereceu recompensas por pistas do seu paradeiro e começou a estudar o dia-a-dia do suspeito deAngelo, tal como ele fazia com as suas vítimas: vigiavam-no constantemente, estudavam as suas rotinas e seguiam-no quando saía de casa. Mas foram as amostras de ADN que acabaram por confirmar as suspeitas. “A resposta estava e sempre iria estar no ADN”, argumentou Schubert.

“Quando [ele] saiu da sua residência, tínhamos uma equipa a postos que o conseguiu deter [sem possibilidade de fiança]. Ele ficou muito surpreendido”, conta o xerife de Sacramento, Scott Jones, citado pela CNN. Para já, deAngelo só está detido pela suspeita dos homicídios de Brian e Kate Maggiore, em 1978, enquanto passeavam os cães, e de Charlene e Lyman Smith, em 1980, golpeados até à morte.

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O suspeito detido, agora com 72 anos SACRAMENTO COUNTY SHERIFF'S OFFICE/LUSA

Uma das suas vítimas, Jane Carson-Sandler, escreveu um livro sobre o seu encontro com o assassino. “Cala-te, cala-te, cala-te, ou eu mato-te”, sussurrou deAngelo antes de amarrar o filho de três anos de Carson-Sandler e de a violar, cortando-a com uma faca na zona do peito. “Tenho estado a chorar desde então”, disse Carson-Sandler, citada pelo Guardian, depois de saber da detenção do suspeito da sua violação e de tantos outros crimes.

O suspeito das dezenas de crimes trabalhou durante seis anos como agente da polícia; foi despedido em 1979 por ter roubado um martelo e uma lata de repelente para cães de uma loja. “Ele estava muito possivelmente a cometer estes crimes durante o período em que trabalhava como um agente da paz”, explicou Jones, condenando a forma como alguém que deveria inspirar a confiança dos cidadãos a quebrava a cada crime cometido.