Cambridge Analytica acedeu a dados de 87 milhões de utilizadores

A informação disponível apontava para que a Cambridge Analytica teria acedido a dados de 50 milhões de utilizadores.

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Reuters/DADO RUVIC

O número de utilizadores do Facebook com dados que foram acedidos pela sociedade de consultoria britânica Cambridge Analytica aumentou para 87 milhões, segundo um comunicado divulgado pela empresa que detém a rede social esta quarta-feira. Até ao momento, a informação disponível apontava para que a Cambridge Analytica teria acedido a dados de 50 milhões de utilizadores do Facebook.

"No total, cremos que a informação do Facebook de 87 milhões de pessoas, a maioria nos Estados Unidos, pode ter sido partilhada indevidamente com a Cambridge Analytica", lê-se na declaração do responsável tecnológico da empresa, Mike Schroepfer.

O responsável tecnológico do Facebook escreveu um texto a detalhar algumas mudanças que a rede social fará para restringir a informação a que podem aceder as aplicações, como já tinha adiantado o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.

O Facebook já anunciou que pretende lançar medidas para dar mais privacidade aos utilizadores, afirmando que "percebeu claramente" que as ferramentas disponíveis "são difíceis" de encontrar e que "tem de fazer mais" para informar os utilizadores da rede social. Para já, a rede social está a aumentar o controlo da privacidade dos seus utilizadores na Europa, mas não se compromete a expandir as actualizações a nível global. 

A rede social Facebook tem estado no centro de uma vasta polémica internacional com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de milhões de utilizadores da rede social, sem o seu consentimento, para elaborar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, favorecendo a campanha de Donald Trump. 

Esta revisão do número de utilizadores afectados surge horas depois de Mark Zuckerberg ter confirmado que vai depor no Congresso norte-americano, no dia 11 de Abril.

Para além das influências nas eleições norte-americanas, já tinha sido avançado em meados de Março que a empresa estava também envolvida nas eleições da Nigéria de 2015. A confirmação foi dada esta quarta-feira através de um vídeo a que o Guardian teve acesso. O vídeo é, de acordo com a descrição do jornal britânico, composto por "imagens gráficas" de violência na Nigéria. Imagens de pessoas a serem desmembradas, queimadas vivas ou decapitadas eram acompanhadas com mensagens ameaçadoras e anti-islâmicas, conta o jornal. O objectivo foi atribuir o cenário de caos e terror a um dos candidatos da oposição, Muhammadu Buhari, retratado como alguém que iria oprimir brutalmente os dissidentes e negociar com grupos extremistas. A estratégia terá sido encomendada por um bilionário e tinha como objectivo garantir a reeleição do então Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan.

As acções do Facebook caíram 15% desde o eclodir do caso, mas o número de utilizadores mantém-se praticamente inalterado, de acordo com os números citados pelo criador do Facebook.