Crítica

Mistérios da floresta coreana

Aquela forma, muito característica do fantástico asiático, de fazer entroncar os elementos sobrenaturais numa atmosfera quase panteísta. Vale a pena espreitar.

Fotogaleria
Entre o terror e o policial, entre os fantasmas e a investigação detectivesca: O Lamento>
Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria

A meio caminho entre o terror e o policial, entre o mundo dos fantasmas e os procedimentos da investigação detectivesca, “O Lamento” é um filme sul-coreano que foi um enorme sucesso no “box office” do seu país e daí partiu para uma carreira internacional geralmente bem recebida.

Não será caso para um entusiasmo desmedido, mas tem qualquer coisa, de facto. Especialmente aquela forma, muito característica do fantástico asiático (enfim, se é possível generalizar, mas vemos isso do Mizoguchi dos Contos da Lua Vaga ao Apichatpong do “Tio Boonmee), de fazer entroncar os elementos sobrenaturais numa atmosfera quase panteísta, radicada na relação com a natureza e com as culturas tradicionais.

Isso dá ao filme (que se passa numa ambiente rural, tratando muito bem o ambiente das paisagens naturais) um toque progressivamente cativante, como se antevíssemos que no fim da linha não está descoberta de um truque qualquer, antes de algo realmente secreto, para não dizer “sagrado” — e se a narrativa fala de possessões demoníacas, como uma declinação coreana dos zombies americanos, até vale a pena dizer que estamos mais próximos do lirismo místico do Tourneur de I Walked With a Zombie do que dos zombies modernos reinventados por George Romero. Vale a pena espreitar.