Trump diz que vai mandar tropas para a fronteira com o México

Marcha de imigrantes da América Central foi travada a centenas de quilómetros da fronteira, mas o Presidente norte-americano continua a falar sobre a "grande Caravana de Pessoas das Honduras".

Donald Trump disse que vai falar com o secretário da Defesa, Jim Mattis
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"Temos mesmo de fazer isto", disse Trump Reuters/KEVIN LAMARQUE

O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta terça-feira que vai ordenar o envio de militares para a fronteira com o México e ameaçou cortar a ajuda financeira às Honduras, no terceiro dia consecutivo de declarações sobre a imigração.

"Vamos proteger a nossa fronteira com os nossos militares. É um grande passo em frente. Não podemos ter tantas pessoas a entrar no nosso país de forma ilegal, que depois desaparecem e nunca chegam a apresentar-se em tribunal", disse Trump durante uma reunião com os líderes dos três países bálticos – Lituânia, Estónia e Letónia.

No final da mesma reunião, na Casa Branca, o Presidente norte-americano disse que irá falar com o secretário da Defesa, Jim Mattis, sobre os pormenores dessa decisão. "Temos mesmo de fazer isto", disse.

Em 2010, o Presidente Barack Obama enviou 1200 elementos da Guarda Nacional norte-americana para a fronteira com o México, com o objectivo de atenuar as consequências da violência entre os cartéis mexicanos. E quatro anos antes, em 2006, o Presidente George W. Bush enviou seis mil soldados da mesma força para reforçar o controlo das entradas ilegais a partir do México.

Mais recentemente, em 2014, o então governador do Texas e actual secretário da Energia, Rick Perry, colocou mil elementos da Guarda Nacional na fronteira no auge da entrada de milhares de crianças da América Central nos EUA.

México trava "caravana" de imigrantes e dá vistos humanitários

A actual avalancha de declarações públicas do Presidente Trump sobre imigração começou no domingo de Páscoa, quando foi noticiado nos EUA que uma caravana de imigrantes da América Central ia a caminho da fronteira norte-americana.

No domingo, quando deu início a uma série de sete tweets consecutivos sobre o tema da imigração, o Presidente norte-americano apontou o dedo à "caravana" deste ano, organizada pelo grupo Pueblo Sin Fronteras.

Apesar de estas caravanas serem um acontecimento anual (e de serem constituídas, em maioria, por homens, mulheres e crianças em fuga de uma das zonas mais violentas do mundo à excepção dos países em guerra), o Presidente Trump usou a deste ano como um exemplo das consequências daquilo que descreve como as "leis liberais ridículas" do Partido Democrata e a suposta permissividade do México em relação à entrada de "grandes fluxos de droga e de pessoas" nos EUA.

Lou Dobbs, um conhecido apresentador da Fox Business Network, figura do movimento nacionalista conservador e conselheiro informal de Donald Trump, disse no Twitter que a caravana de imigrantes da América Central é "um exército de estrangeiros ilegais em marcha sobre a América".

Mas, num comunicado conjunto dos ministérios da Administração Interna e dos Negócios Estrangeiros, o Governo mexicano sublinhou que as autoridades norte-americanas estavam ao corrente da situação, "tal como nos anos anteriores". "Desde o dia 25 de Março, o Governo mexicano, através do Ministério da Administração Interna, manteve sempre informado o Governo dos EUA sobre o andamento da caravana, através da embaixada deste país na Cidade do México", lê-se no comunicado, publicado na noite de segunda-feira.

No mesmo documento, e sem nunca se referir directamente às acusações do Presidente norte-americano, o Governo mexicano diz que "não promove a imigração irregular em nenhuma circunstância", e que a caravana em causa é "uma manifestação pública que tenta chamar a atenção para o fenómeno migratório e a importância do respeito pelos direitos dos imigrantes da América Central que, em muitos casos, se vêem obrigados a deixar os seus lugares de origem em busca de melhores oportunidades, ou com a intenção de obter protecção internacional através da figura do 'refúgio'".

Ajuda financeira em risco

Esta terça-feira, mesmo depois de o Governo mexicano ter travado a caravana, o Presidente norte-americano voltou a insistir que os imigrantes estão a marchar em direcção aos EUA. E, para além da promessa de enviar militares para a fronteira, ameaçou cortar a ajuda financeira às Honduras – o país de origem de muitos dos imigrantes que fazem parte da caravana.

"É melhor que a grande Caravana de Pessoas das Honduras que está agora a atravessar o México em direcção à nossa fronteira das 'leis fracas' seja travada antes de cá chegar. A galinha dos ovos de ouro NAFTA está em jogo, tal como a ajuda externa às Honduras e aos países que permitem que isto aconteça. É PRECISO AGIR AGORA!"