Corbyn tenta descolar rótulo de anti-semitismo do Labour

Líder trabalhista britânico é acusado de ser condescendente com discurso anti-semita dentro do partido e já começou a perder doadores.

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Jeremy Corbyn apagou a sua página no Facebook Neil Hall/REUTERS

O clima de optimismo em redor de Jeremy Corbyn dá sinais de estar a desvanecer-se aos poucos. Depois da polémica em volta da sua resistência a responsabilizar a Rússia pelo envenenamento de Sergei Skripal, o líder do Partido Trabalhista volta a estar no centro das atenções por razões pouco abonatórias. Corbyn é acusado de não ser suficientemente firme na condenação do discurso anti-semita dentro do Labour, tendo ele próprio sido associado àquele tipo de postura.

A recuperação de uma mensagem – que criticava a limpeza de um graffiti londrino que retratava um grupo de empresários judeus a jogar Monopólio nas costas dos mais pobres – escrita e partilhada no Facebook por ele, em 2012, obrigou o líder trabalhista a pedir desculpa publicamente. Mas não foi suficiente para estancar a onda de críticas.

Corbyn foi associado a pelo menos cinco grupos daquela rede social conhecidos por publicarem conteúdo anti-semita e este domingo apagou mesmo a sua conta pessoal.

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Manifestação contra o anti-semitismo no Partido Trabalhista em Londres, frente ao Parlamento ANDY RAIN/EPA

O respaldo de uma das suas maiores aliadas ndo partido, Christine Shawcroft, a um candidato municipal trabalhista assumidamente negacionista do Holocausto, também não está a ajudar o líder do Labour, que já a substituiu pelo comediante Eddie Izzard no Comité Executivo Nacional.

Jeremy Corbyn tem negado repetidamente ser anti-semita e, juntamente com vários elementos da ala mais à esquerda do partido, pediu para não se confundirem posições críticas da estratégia agressiva de Israel para com a Palestina com anti-semitismo.

Apelos que não convenceram David Garrard, um dos maiores doadores privados judeus do Partido Trabalhista, que decidiu por fim ao seu apoio – traduzido em 1,5 milhões de libras (cerca de 1,1 milhões de euros) distribuídos por três líderes partidários diferentes, desde 2003.

“Assisti com consternação e mau presságio à sua liderança nos últimos dois anos (...), apoiando e aprovando os actos mais grosseiros de anti-semitismo”, justifica Garrard, citado pelo Guardian. “Já não sinto afinidade e ligação [com o Labour]”, conclui.