Protecção Civil interditou hangar onde estão os Kamov e expulsou técnicos de manutenção

Autoridade Nacional de Protecção Civil diz que decisão ocorreu devido a "movimentação de material" dos helicópteros Kamov sem ter sido efetuada "a identificação do referido material, nem ter sido solicitada a necessária autorização". Técnicos de empresa que fazia a manutenção foram expulsos.

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Kamov não estarão prontos dentro da data definida para a manutenção Daniel Rocha

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) confirmou que interditou na terça-feira o hangar onde se encontram os três helicópteros Kamov do Estado que estão em manutenção. A informação foi revelada nesta quarta-feira à tarde pela empresa Everjets, que ganhou a operação dos helicópteros do Estado e subcontratou a manutenção numa outra empresa, tendo já depois das 21h a ANPC confirmado o encerramento do hangar.

"O hangar da ANPC sito em Ponte de Sor, onde se encontra localizada a frota de helicópteros Kamov, propriedade do Estado português, foi ontem, 27 de Março, interditado pela ANPC", confirma a autoridade. E justifica a decisão com o facto de ter constatado "a movimentação de material da mencionada frota, por parte da Heliavionics (subcontratada da Everjets), sem ter sido efectuada a identificação do referido material, nem ter sido solicitada a necessária autorização". 

A ANPC diz que esses factos foram logo comunicados à Everjets, a quem foram pedidos os "necessários esclarecimentos", e admite que "caso se encontrem reunidas as condições" o hangar seja reaberto e sejam "retomados os trabalhos com a normalidade necessária e desejável".

"O encerramento do hangar foi a única medida que, no imediato e face à omissão de qualquer actuação e/ou esclarecimento por parte dos técnicos da Everjets presentes no local, permitiu acautelar os bens da ANPC e o interesse público subjacente", justifica a protecção civil.

Antes, a Everjets divulgara um comunicado, no qual contava que a ANPC "encerrou e selou as instalações onde estão guardados os helicópteros Kamov, expulsando dos hangares equipas russas que procediam à manutenção das aeronaves".

De acordo com a empresa, a "ANPC invoca como motivo que a empresa de manutenção russa Heliavionics da Kamov estava a movimentar equipamento/peças sem autorização prévia, situação esta que no decorrer dos anos sempre foi normal".

No comunicado enviado ao PÚBLICO, a Everjets assume que não garante que, com isto, possa ter as aeronaves prontas a tempo. Diz a empresa que "pretendia cumprir o planeamento de manutenção" e que com esta acção "vê-se assim impossibilitada de cumprir os objectivos e garantir a prontidão das aeronaves que fica seriamente comprometida". Com Mariana Oliveira