Será o momento de deixar o Facebook?

Caso Cambridge Analytica e a degradação do debate virtual fazem crescer o interesse por uma vida fora da rede. Mas dar o último passo ainda não é para todos.

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Reuters/THOMAS WHITE

As notícias sobre o uso abusivo de dados de milhões de utilizadores do Facebook pela consultora Cambridge Analytica levaram a ameaças de desactivações de contas na rede social. As pesquisas no Google sobre como “apagar o Facebook” dispararam durante a noite de segunda para terça, como mostra a ferramenta de análise de tendências Google Trends.

No Twitter, rede menor mas de importante impacto mediático, cresceu durante a segunda-feira a utilização da etiqueta #deletefacebook por parte de utilizadores que anunciam ou apelam à saída do Facebook. Na terça-feira já era um “trending topic” — um tópico em ascensão, numa tradução livre. 

Naquela rede, a popularidade da hashtag esteve em parte alicerçada num artigo com o mesmo título no site tecnológico TechCrunch, no qual o autor, John Biggs, aconselha um primeiro passo para a libertação: apagar todas as publicações antigas, que são um repositório de dados e opiniões à mercê de olhares indiscretos.

Outros utilizadores denunciam a degradação do ambiente virtual. A meteorologista brasileira Samantha Martins deixou o Facebook no sábado. “A privacidade pesou muito pouco na minha decisão”, disse ao PÚBLICO. “Estava com medo de ficar agressiva. Vemos certas coisas e tendemos a responder à altura. O medo de me transformar num poço de ódio influenciou”, disse, referindo o clima de radicalização política no Brasil.

É cedo para dizer qual o verdadeiro impacto das últimas notícias no número de utilizadores do Facebook. Os últimos dados trimestrais da empresa indicam que o número de utilizadores activos ainda está a crescer a nível mundial, em parte devido ao facto de a adopção das redes sociais e da própria Internet ainda ser um fenómeno relativamente recente em grandes países asiáticos — como é o caso da Birmânia. Para já, e ressalvando os efeitos imprevisíveis da mais recente crise de relações públicas do Facebook, a única preocupação para Mark Zuckerberg está na migração de adolescentes para redes como o Instagram e o Snapchat — a primeira detida pelo Facebook, e a segunda a braços com os seus próprios problemas de popularidade.