Filho de Kadhafi é candidato às presidenciais

Porta-voz de Saif al-Islam confirmou candidatura, apesar de este se encontrar escondido e com um mandado de captura do TPI contra si.

Saif em Maio de 2014, em Zintan
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Saif em Maio de 2014, em Zintan Reuters/STRINGER

Saif al-Islam, filho do antigo ditador Muammar Kadhafi, vai candidatar-se às presidenciais da Líbia, que deverão realizar-se no final do ano. A informação foi avançada pelo porta-voz de Islam, o suposto herdeiro e sucessor do antigo líder líbio.

A candidatura chega apesar de o filho de Khadafi se encontrar escondido desde que foi libertado em Junho do ano passado depois de ter passado seis anos sob custódia de uma das milícias que opera na Líbia – há três anos que não é visto em público. Além disso, Islam tem um mandado de captura contra si apresentado pelo procurador Fatou Densouda do Tribunal Penal Internacional.

Mas nenhuma destas condicionantes impede a candidatura presidencial, segundo disse ao El País o porta-voz do segundo filho de Kadhafi, Aymen Bouras: “Saif al-Islam? está na Líbia, em bom estado de saúde. Brevemente aparecerá em público para apresentar oficialmente a sua plataforma eleitoral.”

“Saif al-Islam é o único capaz de reunir o apoio de todas as tribos do país. Agora já está claro que o que aconteceu em 2011 não foi uma revolução, mas uma conspiração estrangeira para que se apropriassem dos recursos da Líbia”, disse ainda o porta-voz, referindo-se à revolta popular na sequência da chamada Primavera Árabe e que culminou numa guerra civil que provocou a queda e morte de Kadhafi.

Bouras explicou ainda que nos últimos meses vários delegados tribais têm percorrido o país para realizar campanha em nome de Islam.

A data para as eleições não foi ainda estabelecida, mas o representante da ONU na Líbia, Ghassan Salame, bem como vários políticos de vários quadrantes já se comprometeram a realizar o sufrágio. Mas antes de irem a votos, os líbios vão a referendo para ratificar uma nova Constituição, em mais um dos passos para estabelecer um novo sistema democrático no país e terminar com a crise instalada.