Comitiva do primeiro-ministro palestiniano atingida por explosão em Gaza

Pelo menos três veículos da comitiva foram atingidos, mas o primeiro-ministro palestiniano, Rami Hamdallah, saiu ileso. Abbas responsabiliza o Hamas.

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primeiro-ministro palestiniano, Rami Hamdallah, saiu ileso e foi, como planeado, inaugurar a estação de tratamento de águas MOHAMMED SALEM/Reuters/
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Uma explosão atingiu a comitiva onde seguia o primeiro-ministro palestiniano, Rami Hamdallah, que realizava uma rara visita à Faixa de Gaza. O governante saiu ileso do incidente, mas há registo de vários feridos.

O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, já condenou o ataque “cobarde” e atribuiu responsabilidades aos militantes do Hamas, a facção que governa a Faixa de Gaza desde 2007, por não ter dado segurança suficiente.

De acordo com o que relata a Associated Press, assim que os veículos que formavam a comitiva entraram em Gaza ocorreu a explosão que danificou três deles. Um dos carros tinha sangue numa das portas.

Apesar disso, Hamdallah saiu ileso e foi inaugurar uma estação de tratamento de águas na zona norte da Faixa de Gaza tal como o previsto inicialmente.

“A explosão não nos vai impedir de completar a reconciliação nacional e não nos vai impedir de ir a Gaza”, disse Hamdallah num discurso, citado pela BBC, já depois de ter deixado o local.

O Hamas também considerou que o ataque foi uma tentativa de “prejudicar os esforços para conseguir unidade e reconciliação”. O movimento entregou recentemente entregou o controlo dos postos de entrada em Gaza à Fatah, facção de Abbas e Hamdallah, no âmbito de um acordo de reconciliação nacional que ainda está a ser aplicado - o objectivo era uma autoridade conjunta sobre todo o território.

A estação inaugurada é especialmente importante porque a falta de sistemas de tratamento de águas aliada às poucas horas de electricidade fazem com que não seja possível tratar os esgotos e estes têm ido directamente para o mar, criando uma situação insustentável. A estação estava planeada desde 2007 e foi construída com verbas do Banco Mundial União Europeia e outros governos europeus, aponta o Guardian.

O ataque ocorre ainda quando a Casa Branca promove um encontro de representantes internacionais para discutir a situação económica e humanitária, que o enviado norte-americano Jason Greenblatt atribui ao executivo do Hamas.  

Não é raro, aponta a agência Reuters, que facções palestinianas que se opõem a conversações levem a cabo ataques para coincidir com iniciativas de diálogo. No entanto, o processo de paz israelo-palestiniano está formalmente parado desde 2014, e a iniciativa americana não conta com a participação dos palestinianos, que recusam contactos com a Administração de Donald Trump por este ter decidido mudar a embaixada norte-americana de Telavive (onde estão todas as outras embaixadas) para Jerusalém sem reconhecer a pretensão palestiniana à parte Leste da cidade.