Em dia de decisões no PSD, Santana volta a pedir unidade

Num artigo de opinião, Santana Lopes lembra que falta pouco para as eleições europeias e legislativas e que "o partido dividido, em circunstâncias normais, não tem hipótese de ganhar".

Santana pede ao partido que se una em torno do líder Rui Rio
Foto
Santana pede ao partido que se una em torno do líder Rui Rio LUSA/MIGUEL A. LOPES

Há o tempo de disputar e o tempo de unir. Foi esta a tese que Santana Lopes tentou passar no fim-de-semana passado no 37º congresso do PSD e é nela que insiste num artigo publicado esta quinta-feira no Jornal de Negócios. O timing da opinião importa já que coincide com a eleição do representante do partido no Parlamento: Fernando Negrão (apoiante de Santana nas directas) vai hoje a votos para líder parlamentar.

Para Santana Lopes, o PSD ainda tem hipóteses na disputa quer das próximas eleições europeias, quer nas eleições legislativas de 2019, apesar de "o Partido Socialista e António Costa levarem neste momento vantagem". Mas em 2015 também levava, recorda, e isso não implicou que o PSD não tivesse sido o partido mais votado. Por isso, defende, é hora de novo apelo à união dos sociais-democratas.

"A questão é de foco, de empenho, de atitude, de consciência do que está em jogo. O partido dividido, quase por definição, em circunstâncias normais não tem hipótese de ganhar eleições", escreve. E continua: "O partido dividido, quando tem de recuperar uma diferença considerável, ainda menos hipótese tem", defende.

Já no discurso no congresso, Santana, que acordou com Rui Rio a constituição de listas conjuntas para os órgãos do partido, tinha feito um apelo às união e, além disso, tinha deixado duros ataques àqueles que foram à reunião dos sociais-democratas criticar a direcção eleita, como fez Luís Montenegro. Para Santana, é preciso "fazer tudo para se unir o partido", mas, acrescenta "naturalmente, há sempre quem tenha nestas coisas uma visão mais destruidora ou mais egoísta e que prefira o quanto pior melhor". E termina dizendo que pedir união "não foi um capricho", mas uma "obrigação". "Oxalá todos sejam capazes de fazer o mesmo", disse.

Esta opinião de Santana Lopes é partilhada no dia em que a bancada parlamentar do PSD, que na sua maioria o apoiava na disputa contra Rui Rio, vai a eleições para escolher o líder parlamentar. Tal como o PÚBLICO escreve na edição desta quinta-feira, Fernando Negrão, o único candidato ao cargo e apoiado pela direcção recém-eleita, incluiu 37 deputados nas suas listas para a direcção da bancada e para as coordenações nas diferentes comissões. Caso tenha assegurado esses 37 votos (mais os de dois elementos da comissão política que são deputados), precisa apenas de mais seis votos para conseguir 50%+1 voto.