Entrevista

ANA entrega até Abril estudo de impacto ambiental do novo aeroporto do Montijo

O Governo espera que “o essencial da negociação” para o investimento na infra-estrutura complementar ao aeroporto Humberto Delgado esteja concretizada no primeiro semestre.

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Nuno Ferreira Santos

Qual é o próximo grande passo para o aeroporto complementar do Montijo? O estudo de impacto ambiental?
Isso. Vamos receber o estudo de impacto ambiental no primeiro trimestre, entregue pela ANA que ficou de o realizar. Esperamos que o essencial da negociação para concretização do investimento possa estar concretizada no primeiro semestre. Estamos a fazê-lo ao mesmo tempo que aguardamos a entrega do estudo de impacto ambiental mas temos a perspectiva dos investimentos no aeroporto Humberto Delgado e no aeroporto complementar do Montijo até 2021.

Não antes, em 2020? Há quem tenha apelado a isso…
Podemos apelar, e ninguém mais do que eu gostaria que os investimentos estivessem concluídos mais cedo. [Mas] Entre o momento de concretização da renegociação do contrato de concessão e da autorização de execução do investimento, e a sua disponibilização, passarão uns três anos, e quando se falava do tempo para a execução de um novo aeroporto era de pelo menos uma década. Aliás, essa foi uma das condições para a decisão. Tem a ver obviamente com as condições de financiamento, mas também com a rapidez na execução desta estratégia. O país não pode esperar mais.

Anunciou recentemente as receitas da TAP subiram 28% no ano passado (para cerca de 2900 milhões). Esse crescimento é irrepetível?
Claro que quanto mais se crescer num ano mais difícil fica [manter o crescimento], porque a base fica mais elevada. A TAP teve um desempenho extraordinário no ano de 2017, fruto também da estabilização que conseguimos trazer à empresa com o acordo com os accionistas privados que valorizamos muito, e de um bom posicionamento da empresa, que não é e não vai ser uma empresa de low cost. É uma companhia de bandeira, uma das melhores do mundo, que tem um posicionamento estratégico que também faz parte do acordo entre o Estado e os accionistas privados, que é esta posição da TAP como grande interprete do hub entre Portugal, América do Norte, América do Sul, África e, com certeza, as ligações à Europa. Portanto, a interpretação pela gestão da empresa dessa aposta estratégica foi exemplar em 2017 e é para manter.

Confirma que o grupo vai ter resultados positivos no exercício de 2017?
Vamos ver quando a apresentação das contas consolidadas puder ser feita.

Não pode confirmar?
Não posso confirmar ainda porque não quero confirmar ainda.

Teme os efeitos da falta de liquidez de um dos accionistas privados, o grupo chinês HNA?
Essa questão, para mim, não se coloca neste momento. Temos accionistas fortes na empresa, e valorizamos sobretudo a estabilidade que trouxemos à empresa pelo facto de o Estado readquirir a posição de 50%. Para os portugueses, isso é o que devem valorizar. O Estado está e estará na empresa.

Quando é que o Estado terá de fazer um novo investimento na TAP?
Neste momento as condições de financiamento da empresa estão estabilizadas, a TAP é uma empresa muito mais estável e terá mais condições de financiamento em mercado e de leasing completamente diferente das que teve no passado. O financiamento que fizemos no âmbito do acordo de privatização, com 30 milhões de euros no empréstimo obrigacionista, foi o necessário.

Quando estima converter as obrigações em acções?
Não é uma decisão que esteja tomada.

Mas ajudava a TAP.
A decisão de conversão ou a devolução do empréstimo será tomada quando for a altura disso. Não somos só nós [a transportadora área brasileira Azul, fundada por David Neeleman e que conta com capital da HNA, tem 90 milhões em obrigações], e há regras específicas para a conversão, que serão depois discutidas quando for a altura.