Uganda pode ter inflacionado número de refugiados para receber mais dinheiro

Dadores suspenderam os apoios até os números estarem esclarecidos.

Campo de refugiados de Bukanga, a Sul de Kampala
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Campo de refugiados de Bukanga, a Sul de Kampala, capital do Uganda James Akena/Reuters

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) anunciou que os seus dadores querem suspender o auxílio financeiro às operações no Uganda porque há suspeitas de que o número de refugiados tenha sido inflacionado para entrar mais dinheiro.

O Governo do Uganda, as Nações Unidas e a União Europeia abriram inquéritos separados à acusação de que o dinheiro está a ser roubado. Os investigadores estão a verificar vários casos ao mesmo tempo: se os alimentos e outros produtos destinados aos refugiados foram vendidos, se foram pagos subornos e se houve tráfico de raparigas.

Na semana passada, o Governo do Uganda, que já está a investigar se há quadros seus neste esquema, anunciou que alargara o âmbito do inquérito para apurar se membros do ACNUR e do Programa Mundial Alimentar estariam envolvidos, juntamente com funcionários públicos corruptos.

Teresa Ongalo, porta-voz do ACNUR, disse na capital do Uganda, Kampala, que os dadores estão a questionar-se sobre o real número de refugiados no país. "Eles receiam que o número não esteja correcto. Deram-nos indicação de que até os números serem verificados os fundos serão suspensos."

O ACNUR e o Governo do Uganda estão a fazer o levantamento dos refugiados. Mas a suspensão dos fundos vai provocar cortes nas doses de alimentos nos campos de refugiados – a entrada de refugiados aumentou nos últimos anos devido à instabilidade na região dos Grandes Lagos. 

Estima-se que sejam 1,4 milhões os refugiados no país, incluindo mais de meio milhão do Sudão do Sul, onde uma guerra civil com quatro anos deixou dezenas de milhares de pessoas mortas e  12 milhões deslocados (um quarto da população).

Outros refugiados no Uganda são do Burundi e da República Democrática do Congo. Nas últimas semanas chegou população do Congo, onde a violência étnica voltou a eclodir. O ACNUR disse que esperava que chegassem ao Uganda 60 mil congoleses em 2018, mas que o número já subira acima dos 40 mil.