Goldman Sachs garante que Barroso não representou banco junto da UE

Banco de investimento refuta a suspeita de que o antigo presidente da Comissão Europeia tenha feito lobby junto de actuais responsáveis de Bruxelas.

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Nuno Ferreira Santo

O Goldman Sachs sacode a pressão que caiu sobre Durão Barroso e garantiu nesta terça-feira, em comunicado, que o antigo líder do executivo de Bruxelas, contratado por este banco de investimento, sempre se recusou a representar o novo patrão junto de responsáveis da União Europeia, salientando que quaisquer encontros ocorridos são do foro pessoal.

"Como presidente do Goldman Sachs International, José Manuel Barroso representa a nossa empresa junto de clientes, figuras públicas e outros importantes stakeholders", começa o curto comunicado.

"Desde que está connosco [Durão Barroso] sempre se recusou a representar a empresa em quaisquer interacções com responsáveis da União Europeia", garante o banco, acrescentando que "quaisquer reuniões desse tipo estão relacionadas com a sua competência pessoal construída ao longo da sua carreira de serviço público", avança ainda o Goldman Sachs.

O vice-presidente da Comissão Europeia Jyrki Katainen confirmou nesta terça-feira ter-se reunido em Outubro com Durão Barroso, em representação da Goldman Sachs, reavivando a polémica sobre a ida do antigo presidente do executivo comunitário para o banco de investimento norte-americano.

Em resposta a esclarecimentos solicitados pela Corporate Europe Observatory, uma organização não-governamental que se dedica a "expor e desafiar" o lobby das grandes empresas junto dos decisores políticos da União Europeia, Katainen admitiu, numa carta com a data de 31 de Janeiro e divulgada nesta terça-feira, que se reuniu em privado com o antigo presidente do executivo comunitário, em representação da Goldman Sachs.

Jyrki Katainen diz ainda que a reunião foi pedida por Durão Barroso e acrescenta que não há documentos sobre a mesma porque não tem o hábito de tomar notas.

A confirmação da reunião por parte do vice-presidente da Comissão responsável pelo Emprego, Crescimento, Investimento e Emprego já levou a ALTER-EU, uma coligação de organizações não-governamentais para a transparência dos lóbis, a solicitar uma reavaliação, pela Comissão Europeia, às actividades do antigo presidente na Goldman Sachs, uma vez que José Manuel Durão Barroso se comprometeu a não desempenhar o papel de representante de interesses (lobista) pelo banco de investimento.

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