Presidente Jacob Zuma anuncia demissão

"Tomei a decisão de me demitir, com efeitos imediatos", anunciou o líder da África do Sul.

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Reuters/SIPHIWE SIBEKO

O Presidente da África do Sul parecia resistir à demissão, mas acabou por ceder. Jacob Zuma anunciou a demissão do cargo nesta quarta-feira à noite. "Tomei a decisão de me demitir, com efeitos imediatos", declarou Zuma. "Não pode haver vidas perdidas em meu nome", acrescentou, segundo a Reuters.

“Não tenho medo de uma moção de censura nem de uma impugnação… Vou continuar a servir a população da África do Sul e a ANC. Vou dedicar a minha vida e continuar a trabalhar na execução das políticas da nossa organização”, garantiu o Presidente demissionário, citado pelo Guardian, num discurso de demissão que durou mais de 30 minutos.  

A decisão vem na sequência da pressão do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), partido de Zuma, depois de quase 800 acusações de corrupção. Jacob Zuma renuncia, ainda que a contragosto. Afirma não ter cometido nenhum erro e sente-se uma "vítima". "Ainda que não concorde com a decisão da liderança da minha organização, sempre fui um membro disciplinado do ANC", argumentou.

A liderança parlamentar do ANC tinha decidido, na manhã desta quarta-feira, que apoiaria a antecipação de uma moção de censura marcada para dia 22 deste mês, por iniciativa do partido da oposição Combatentes pela Liberdade Económica (EFF, na sigla em inglês). A moção seria assim apresentada esta quinta-feira. Zuma antecipou-se à decisão do Parlamento, demitindo-se na noite desta quarta-feira.  

Zuma esteve no poder quase nove anos e a governação foi marcada por suspeitas de corrupção e pelo clima de instabilidade económica que se viveu no país. A demissão deixa o caminho livre para que o actual vice-presidente, Cyril Ramaphosa, que assumiu a liderança do ANC em Dezembro, suba ao cargo de Presidente. Aí permanecerá pelo menos até às eleições de 2019.

Esta quarta-feira ficou também marcada pelas buscas realizadas pela unidade de elite da polícia sul-africana, conhecida como Hawks (falcões), à residência dos Gupta, família que mantinha uma relação próxima com Zuma. Três empresários desta família estariam sob suspeita por terem utilizado a sua influência para garantir, entre outras coisas, nomeações favoráveis para o Governo, contratos multimilionários com o Estado ou informação privilegiada. Das buscas, resultaram três detenções.