Assessor de Trump demite-se após acusações de violência doméstica

Rob Porter é acusado pelas duas ex-mulheres de abusos prolongados durante anos. A Casa Branca aceitou a demissão, mas defende o agora ex-funcionário.

A 20 de Janeiro de 2017, foi Rob Porter quem entregou ao recém-eleito Presidente dos EUA uma das primeiras decisões assinadas na Sala Oval pela Admnistração Trump
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A 20 de Janeiro de 2017, foi Rob Porter quem entregou ao recém-eleito Presidente dos EUA uma das primeiras decisões assinadas na Sala Oval pela Administração Trump Reuters/Jonathan Ernst

Rob Porter, membro destacado do gabinete de Donald Trump na Casa Branca, demitiu-se esta quarta-feira após as suas duas ex-mulheres terem sido tornados públicos episódios de violência doméstica, física e psicológica.

A história foi avançada pelo tablóide britânico Daily Mail, que cita o testemunho de uma das ex-mulheres, Jennifer Willoughby. O jornal revela uma cópia de uma ordem judicial, de 2010, que o impedia de se aproximar de Jennifer. Na quarta-feira, Mail publicou um segundo artigo com o testemunho da primeira ex-mulher, Colbie Holderness, com fotografias das marcas das agressões.

Poucas horas depois, Porter, que negou a veracidade dos testemunhos, renunciou ao cargo.

“Estas alegações são absurdas e simplesmente falsas”, respondeu Porter em comunicado. “Tenho sido completamente transparente e verdadeiro sobre estas vis alegações, mas não irei mais contribuir publicamente para esta campanha conjunta de difamação”, disse o agora ex-assistente da Casa Branca, citado pela BBC.

Quando a história foi tornada pública, a Casa Branca defendeu Porter. Uma das vozes foi a do chefe de gabinete de Trump, John Kelly, que não terá concordado com a saída de Porter.

"Tal como foi prática das Administrações anteriores, todas as questões relacionadas com a adequação de um indivíduo são revistas através de um completo e longo processo de verificação de antecedentes", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, numa declaração à imprensa. "Rob Porter tem sido eficiente no seu papel na equipa da Administração. O Presidente e chefe de gabinete têm plena confiança nas suas capacidades e desempenho", vincou Sanders. A porta-voz acrescentou ainda que não houve qualquer pressão por parte da Casa Branca para o afastamento de Porter.

Diz ainda o Politico que Kelly teria até conhecimento da ordem judicial contra Porter em relação à sua segunda ex-mulher, mas isso em nada condicionou o seu papel na Casa Branca. Não obstante, o chefe de gabinete de Trump emitiu um comunicado em separado, a elogiar a “verdadeira integridade” de Porter.

Horas mais tarde, Kelly reviu as declarações e emitiu um segundo comunicado em que acrescentou estar “chocado” com as acusações de violência doméstica, mas mantendo a defesa de Porter. “Não existe espaço para a violência doméstica na nossa sociedade. Mantenho os comentários que fiz sobre Rob Porter, que conheço desde que integrou a equipa, e acredito que todos os indivíduos têm o direito de defender a sua reputação. Aceitei o pedido de demissãoe irei garantir uma transição suave e organizada”, declarou Kelly.

Um dos nomes apontados pelo Politico como provável sucessor de Porter é Derek Lyons.

Rob Porter é descrito pelo Politico como “um desconhecido, mas grande influenciador” membro da Administração Trump, que “passa muito do seu tempo ao lado do Presidente Donald Trump”.

Este não é o primeiro nome da equipa do Presidente dos EUA a ser acusado de abusos e violência. Ainda antes das eleições, um dos directores de campanha, Corey Lewandowski, foi acusado de abusos sexuais a uma jornalista do Breitbart. Meses depois, foi acusado de agressão a uma apoiante de Trump, numa festa no Trump International Hotel, em Washington. Também o nome de Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, esteve em 1996 envolvido em acusações de violência doméstica. Há um ano, Andrew Puzder desistiu de se tornar secretário para o Trabalho da Administração Trump, depois de num programa de televisão terem sido reveladas denúncias feitas contra ele há 27 anos

Mais recentemente, a equipa de Trump defendeu Roy Moore, o candidato republicano ao Senado pelo estado do Alabama, acusado de sete crimes de abuso sexual, incluindo contra menores de idade.