Câmara e Santa Casa vão investir 140 milhões na melhoria de vida dos idosos

Os projectos são muitos e passam pela construção de oito residências, requalificação de 21 centros de dia e adaptação de habitações privadas. O objectivo é promover autonomia e participação dos mais velhos na capital.

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LM miguel Manso - publico

“Lisboa, cidade de todas as idades” é o novo programa da Câmara Municipal de Lisboa (CML) em colaboração com a Santa Casa da Misericórdia (SCML) que visa encarar o envelhecimento da população lisboeta como algo positivo, retirando proveito da experiência dos seniores para se certificar que permanecem integrados na cidade e têm uma vida mais autónoma e activa por mais tempo. Para o concretizar, a autarquia investirá 100 milhões de euros e a SCML entre 30 a 40 milhões num programa com três eixos: vida activa, vida autónoma e vida apoiada.

O envelhecimento da população, fruto da conjugação da baixa taxa de natalidade e do aumento da esperança de vida em Portugal, não é novidade e de facto, segundo dados do INE, em 2011 aproximadamente 24% da população residente na cidade de Lisboa tinha 65 anos ou mais. É a pensar nestes habitantes da capital que o município se compromete a tomar medidas.

“Muitas vezes, substituir uma banheira para um poliban é tudo o que é preciso para alguém não se ver obrigado a sair de sua casa. E são este tipo de coisas que, devido a dificuldades financeiras, acabam por não ser feitas. É nesse sentido que a câmara vai agir”, explicita Fernando Medina, presidente da autarquia.

A adaptação das habitações privadas com instalações que promovem a autonomia implicará um investimento de oito milhões de euros. Este programa, chamado Casa Aberta, “deve ser realizado em conjunto com as juntas de Freguesia”, disse Medina, que poderão ajudar à identificação das necessidades dos cidadãos.

Também em conjunto com as juntas será executado o programa Radar que pretende sinalizar todos os habitantes com mais de 65 anos de modo a conseguir detectar situações de risco e assim adequar a resposta necessária para cada caso.

Este projecto será o primeiro a ser implementado (com activação prevista até ao final de 2018) mas seguir-se-ão outras medidas que facilitarão aos idosos lisboetas uma vida mais autónoma  É o caso do serviço de teleassistência para pessoas dependentes ou incapacitadas ou do Fórum de Participação +65 que pretende ser um espaço de debate sobre as propostas de solução para os problemas dos idosos.

Para facilitar a mobilidade serão ainda adaptados passeios, passagens de peões e paragens de autocarro de forma a que sejam eliminados os pontos de perigo pedonal para os idosos e evitar acidentes, num investimento de dez milhões.

Para combater o problema da solidão, que afecta aproximadamente 85 mil das 130 mil pessoas com mais de 65 anos no concelho, será feita uma aposta no apoio a estes idosos, quer através da construção de residências para idosos quer da criação de equipas de cuidados integrados.

Aqui, serão alocados 12 milhões de euros para a requalificação de 21 centros de dia da SCML para a criação de espaços intergeracionais que combinarão centros de dia e creches, promovendo a integração da geração mais idosa com a mais nova.

Até 2026 serão ainda construídos oito equipamentos de estrutura residencial e cuidados continuados espalhados pela cidade (Alcântara, Alvalade, Avenidas Novas, Benfica, Campolide, Marvila, Santa Clara e São Domingos de Benfica), cada um com lotação de 1000 vagas que terão também o intuito de “complementar o sistema nacional de saúde”, evitando a deslocação da população idosa aos hospitais.

Os terrenos serão cedidos pela câmara à SCML e a construção ficará também a cargo da autarquia, sendo que a gestão do espaço será feita em conjunto.

Sublinhando que o programa não está fechado e “não vive sem contributos”, Medina apelou ao desenvolvimento de parcerias com as juntas e com a rede social da cidade, contando com sugestões de todos para o melhorar.

A autarquia, que é hoje uma das capitais mais envelhecidas da União Europeia, apresenta um rácio de 100 crianças para cada 180 idosos e prevê-se que em 2050 Portugal seja o terceiro país mais envelhecido do mundo.

Ricardo Robles, vereador dos Direitos Sociais, Saúde e Educação, mostrou-se satisfeito com as medidas tomadas, reforçando que a chave é “repensar a solução institucional” e oferecer soluções que permitam às pessoas permanecer nas suas casas com conforto e qualidade durante mais tempo.

Texto editado por Ana Fernandes