120 Batimentos por Minuto é o grande favorito na corrida aos Césares 2018

Nomeações para os prémios do cinema francês foram divulgadas esta quarta-feira de manhã. O filme de Robin Campillo concorre em 13 categorias. O de Albert Dupontel, Au revoir là-haut, também, mas as atenções não são para ele.

<i>120 Batimentos por Minuto</i>, de Robin Campillo, foi o filme sensação de Cannes no ano passado
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120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo, foi o filme sensação de Cannes no ano passado DR

Depois de ter ganho o Grande Prémio do Júri de Cannes em 2017 e de ter sido a escolha do público no festival de Cabourg, estará 120 Batimentos por Minuto a preparar-se para outra noite de consagração a 2 de Março, quando a academia de cinema francesa divulgar os eleitos de 2018? Nada é certo mas, para já, a coisa parece bem encaminhada para o filme de Robin Campillo.

Diz o diário Le Fiagro que, com 13 nomeações, 120 Batimentos por Minuto encabeça, ex aequo com Au revoir là-haut, de Albert Dupontel, uma lista de favoritos de que também fazem parte Le sens de la fête (dez), Barbara (nove) e Petit Paysan (oito), todos eles candidatos à estatueta de Melhor Filme (nesta categoria concorrem ainda Patients e Le Brio).

O facto de o filme de Robin Campillo (Les Revenants e Eastern Boys), liderar as nomeações não traz surpresas, escreve esta manhã o diário Le Figaro. A sua passagem por Cannes já o antecipava. Concorre em boa parte das principais categorias, além da de Melhor Filme: Melhor Realizador (Campillo), Melhor Actriz Secundária (Adèle Haenel), Melhor Actor Secundário (Antoine Reinartz); Melhor Actor Revelação (Nauel Pérez Biscayart e Arnaud Valois).

120 Batimentos por Minuto, com argumento de Campillo e de Philippe Mangeot, presidente da Act Up francesa nos anos 1990, passa-se na Paris dessa década, no auge da epidemia da sida que dizima milhares de homossexuais, perante a apatia governamental. Para pôr o tema da agenda política e forçar o Eliseu a agir para fazer face ao flagelo, um grupo de activistas cria o Act Up, grupo destinado a organizar protestos não-violentos e eficazes para chamar a atenção para doença e promover a sua prevenção e tratamento.

Dizem os meios de comunicação franceses que, apesar do favoritismo reconhecido de 120 Batimentos... é preciso não esquecer dois rivais de peso: Au revoir là-haut, de Dupontel, adaptação de um romance de Pierre Lemaitre que ganhou o Prémio Goncourt em 2013; e Barbara, de Mathieu Amalric. Este último, filme-biografia que o seu realizador, que é também um dos melhores actores franceses, começou por considerar “impossível”, gira em torno de uma Jeanne Balibar em estado de graça, vestindo a pele da figura maior da chanson française, intérprete absolutamente singular de compositores como George Brassens e Jacques Brel.

Esta edição dos Césares, a 43.ª, vai premiar a actriz espanhola Penélope Cruz pelo conjunto da sua carreira e traz uma novidade – um prémio atribuído pelo público, a entregar ao filme que tiver tido mais receita de bilheteira. Esta decisão polémica da academia é vista como uma forma de pôr fim à fraca representação das comédias de grande público no prémios do cinema francês, segundo o jornal Le Figaro.

Lista completa das nomeações aqui