Tribunal vai ouvir banqueiro angolano que acusa ex-procurador de ficção

Carlos Silva refuta em comunicado declarações feitas por Orlando Figueira em tribunal.

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Rui Gaudencio

Os juízes que lideram o processo Operação Fizz querem ouvir o banqueiro Carlos Silva presencialmente e irão notificá-lo para prestar depoimento na qualidade de testemunha, apurou o PÚBLICO. A notícia de que o colectivo de juízes irá chamar o banqueiro angolano surge no mesmo dia em que Carlos Silva se defende das acusações “oportunistas” que pretendem “adulterar a realidade” e assentam “em insinuações falsas”, a propósito do seu alegado envolvimento na Operação Fizz, desmentindo as acusações de Orlando Figueira, antigo procurador, que está a ser julgado por suspeitas de ter sido corrompido por Manuel Vicente, antigo vice-presidente de Angola.

Carlos Silva deveria ter sido ouvido via Skype, naquela que é quinta sessão do julgamento, mas devido às dificuldades acabou por não o ser. Por isso, e como também tem morada em Portugal, o banqueiro será notificado a comparecer presencialmente. 

O procurador-geral da República de Angola também está arrolado pelos arguidos para ser ouvido, mas ainda não respondeu à carta rogatória.

Num comunicado enviado às redacções, Carlos Silva desmente Orlando Figueira e argumenta que foi ouvido pelo Ministério Público na fase de inquérito, na qualidade de testemunha, quando teve “ocasião de responder a todas as questões formuladas pelo Ministério Público, com todo o detalhe e rigor”, nomeadamente no que diz respeito às circunstâncias em que conheceu e em que contactou com Orlando Figueira.

“Quero reiterar que, para além do que relatei no meu depoimento, não tive nenhum outro contacto, pessoal, telefónico ou por outra via com este senhor, nem muito menos lhe fiz qualquer convite de trabalho.”

O grau de fantasia dessa estória vai ao ponto de inventar um suposto encontro num hotel no centro de Luanda, no qual me descreve como envergando uma indumentária que, quem me conhece, sabe que jamais utilizaria num local deste tipo”, acrescenta.  

“Embora sejam evidentes os motivos que levam o ex-procurador a enveredar nesta fase por esta estratégia, não posso deixar, desde já, de vir publicamente repor a verdade”, conclui. com Ana Henriques

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