Morreu o poeta José Correia Tavares

Nascido em 1938, em Castelo Branco, publicou dezenas de livros, tendo-se revelado no início dos anos 60 com Dádiva e A Flor e o Muro. Era vice-presidente da Associação Portuguesa de Escritores.

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José Correia Tavares Fernando Bento

O poeta José Correia Tavares, autor de uma extensa bibliografia inaugurada no início dos anos sessenta com títulos como Dádiva (1961) ou A Flor e o Muro (1962), morreu esta quinta-feira em Lisboa, no Hospital Egas Moniz.

Segundo uma nota da Associação Portuguesa de Escritores (APE), cuja direcção o poeta integrava como vice-presidente, José Correia Tavares estava já internado desde o final do ano passado, e a sua morte ficou a dever-se a um acidente vascular cerebral.

Nascido em 1938, em Castelo Branco, foi nesta cidade que publicou os seus primeiros livros, em edições de autor, início de uma obra que se caracteriza pelo uso recorrente da quadra e por um registo coloquial, com uma frequente dimensão política, mas também satírica.

Poeta prolífico – publicou dezenas de livros e continuou a escrever e editar regularmente quase até ao final da vida –, teve algum reconhecimento crítico ainda antes do 25 de Abril de 1974, estando representado no volume Poesia 70, co-organizado por Egito Gonçalves e Manuel Alberto Valente, e na antologia Oitocentos Anos de Poesia Portuguesa, que Orlando Neves e Serafim Ferreira lançaram em 1973.

Logo após o 25 de Abril editou um dos seus livros mais conhecidos, e que melhor define o seu estilo directo e sem grandes preocupações formais, Beijos e Pedradas (1975). Seguiram-se, ainda nos anos 70, E Não Me Tiveram (1976), Fim de Citação (1976), Rio Sem Ponte (1977) e Ganhar Ofício (1977).

Na década seguinte saíram Atraído ao Engano (1984), O Verso e o Rosto (1987) e Todas Estas Palavras (1989). E se o seu ritmo de publicação abrandou depois um pouco nos anos 90, reanimou-se com a entrada no novo século: desde Molduras Com Espelhos (200) até títulos mais recentes, como Olhando as Margens (2012), Sem Prazo de Validade (2014), Livre do Desassossego (2015), Nebulosa de Factos (2016) e Velhos São os Caminhos (2017), José Correia Tavares deu a lume mais de uma dúzia de livros, muitos deles com a chancela da Húmus, de Vila Nova de Famalicão, ou das edições Adab, de Vila do Conde.

No seu comunicado, a APE recorda a "afabilidade e energia" do poeta, bem como o seu "inestimável" "talento e apego às causas comuns".

O corpo de José Correia Tavares vai estar em câmara ardente na Igreja da Nossa Senhora da Ajuda, no Largo da Boa-Hora, em Lisboa, a partir das 19h de sexta-feira, realizando-se o funeral no sábado, pelas 12h30, no cemitério do Alto de S. João, onde será cremado.