Rio ganha e vira a página do passismo

A boa disposição do novo líder do PSD foi visível desde o momento em que foi à concelhia do Porto depositar o seu voto, a meio da tarde.

Ao ser eleito neste sábado líder do PSD em eleições directas, Rui Rio acrescentou mais uma vitória ao currículo de triunfos que granjeou ao longo da sua vida académica e política. Os militantes sociais-democratas preferiram Rui Rio a Pedro Santana Lopes, mas na hora de assumir a vitória o sucessor de Pedro Passos Coelho não esqueceu o seu adversário, que “com generosidade e empenho se apresentou a estas eleições, permitindo, assim, um confronto de ideias que não só valorizaram esta vitória como enriquecem os nossos objectivos comuns o partido”.

Visivelmente satisfeito com a vitória, Rui Rio começou por agradeceu a todos aqueles que votaram em si e dessa forma lhe conferiram a sua confiança para conduzir os destinos do Partido Social-Democrata e também não esqueceu aqueles que votaram de forma diferente nas urnas, dando, assim, um sinal de unidade. Depois vieram os avisos.

Feitos os agradecimentos extensivos a todos aqueles que estiveram envolvidos na sua candidatura, o novo líder do PSD citou Francisco Sá Carneiro para dizer que o ADN e a matriz que estiveram na origem do partido será a “bússola” que sempre o orientou e que vai continuar a perseguir como meta na liderança do partido. E foi precisamente a partir daqui que começaram os avisos. “O PSD não foi fundado para ser um clube de amigos, nem foi pensado para ser uma agremiação de interesses individuais ou de grupo”, declarou, arrebatando uma das mais calorosas ovações da noite.

A seguir declarou que o PSD deu ao país o maior impulso de crescimento e de desenvolvimento económico da democracia portuguesa e é o partido que sempre soube liderar as mais importantes reformas estruturais que a nossa história democrática regista. É a este Partido Social-Democrata que iremos dar continuidade”, prometeu. E avisou que o actual Governo terá com a nova liderança do PSD uma "oposição firme e atenta", mas "não demagógica ou populista".

Com uma sala cheia de militantes do partido, Rio falou para o partido, declarando que a partir de Fevereiro, mês em que decorrerá o congresso, o PSD iniciará a construção de uma alternativa de Governo à actual frente de esquerda que se formou no Parlamento, uma alternativa capaz de dar a Portugal uma governação mais firme e mais corajosa, capaz de enfrentar os grandes problemas estruturais com que há muito o país se confronta”. E prosseguiu: “Uma alternativa capaz de reforçar a nossa aposta em Portugal e de nos restituir a vontade, a alma e a esperança”.

A terminar, declarou que o “actual Governo terá na nova liderança do PSD uma oposição firme e atenta, mas nunca demagógica ou populista, porque nunca contra o interesse nacional”. Quanto ao Presidente da República – disse –  “terá no PSD a lealdade que os princípios éticos a todos nos impõe e a colaboração institucional de que o país e o regime necessitam”.

Antes do discurso de vitória, Rui Rio reuniu-se com a sua estrutura de campanha no 12º andar do hotel. Pouco depois, quando começaram a ser conhecidos os resultados, já havia pessoas a cumprimentarem-se efusivamente à porta do hotel, mas as bandeiras do partido só começaram à chegar sala pouco tempo antes de o recém-eleito presidente do partido discursar.

Resultados provisórios: 54,37% contra 45,63%

Ainda não foram divulgados os resultados oficiais (só serão publicados a 17 de Janeiro nos órgãos oficiais do partido), mas os números provisórios indicavam no sábado à noite uma vitória bastante definitiva de Rui Rio com 54,37% dos votos, contra 45,63% de Pedro Santana Lopes.

De um total de 42.254 militantes que votaram, Rio teve direito a 22.611 votos e Santana Lopes atingiu os 18.974. À excepção de Pedro Passos Coelho em 2010, meses antes de ter sido eleito primeiro-ministro, nenhum outro líder teve uma votação tão expressiva. Luís Filipe Menezes, em 2007, aproximou-se (com 21.101).

Em jeito de curiosidade, e já que Rio e Menezes protagonizaram alguns dos mais intensos debates da política portuense, registe-se que Rui Rio foi eleito com mais 1510 votos do que o seu rival, dez anos antes. A liderança de Menezes foi, porém, curta: oito meses.

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No sábado à noite, pouco mais de duas horas depois de as urnas encerrarem coube a Jorge Pracana, presidente do Conselho de Jurisdição do PSD, apresentar os dados “provisórios”. O dirigente avisou que, àquela hora, 11 das 325 secções do partido ainda estavam por apurar - e o Brasil ainda votava. 

Apenas 59,77% dos sociais-democratas tinham as quotas em dia e, desses, 40% optaram por não votar. A abstenção é, assim, uma das mais baixas das oito eleições directas que o PSD já teve desde 2006 (dessas, apenas quatro foram disputadas por vários candidatos).

Mais tarde, soube-se que Rui Rio venceu em 12 das 23 estruturas do partido e Santana Lopes em 11. Rio Rio venceu em locais como Porto, Braga, Aveiro e Viseu. Santana foi o melhor em Lisboa, Beja e Coimbra. Com Sónia Sapage