Urgências hospitalares: que problemas têm sido denunciados nos últimos dias?

Nos últimos dias foram vários os casos noticiados sobre problemas de sobrelotação das urgências e de falta de meios.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Em época de frio e de gripe, somam-se as denúncias de problemas no SNS. Revemos algumas dos últimos dias.

Guimarães: enfermeiros falam em “caos” nas urgências

Em Guimarães, foi o Sindicato de Enfermeiros Portugueses (SEP) a denunciar nesta quarta-feira o "caos" que diz existir na urgência hospitalar, com tempos de espera "muito para além do desejável" e uma "visível falta de recursos humanos e materiais". A administração “desmente categoricamente e de forma absoluta” estas situações, garantido que o serviço de urgência "tem estado perfeitamente dentro do adequado" para esta altura do ano.

De acordo com o sindicato, o reforço da equipa de enfermagem foi tardio, só tendo acontecido na terça-feira, “no início no turno da tarde". A administração diz que o hospital iniciou o processo de contratação de mais profissionais. Serão 12 enfermeiros, de acordo com o SEP.

Santarém: queixas de esgotamento das equipas

Consequência da sobrelotação do serviço de urgência do Hospital de Santarém, onde têm estado nos últimos dias mais de 50 doentes, há queixas de esgotamento das equipas de enfermeiros. Mas o cenário nas urgências que tem vindo a público neste período de especial afluência por causa do Inverno é semelhante ao que o serviço vive durante o resto do ano, denunciou o Sindicato dos Enfermeiros, com um dedo apontado aos sucessivos governos que, por "inércia", ignoraram alertas sobre as consequências do envelhecimento da população.

"Os ministros estão-se borrifando. Todos os anos, quando chega o frio, é a mesma coisa. Ficam à espera que o tempo aqueça e que tudo passe", afirmou a sindicalista Helena Jorge, sublinhando que já era sabido em Dezembro que seria necessário contratar mais enfermeiros.

Porto: falta de pediatras para serviço de urgência

Também os pediatras do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, já denunciaram num abaixo-assinado datado de Dezembro, mas divulgado apenas nesta terça-feira, "a manifesta falta" de profissionais para alocar ao serviço de Urgência Pediátrica Integrada do Porto – trata-se da urgência metropolitana que é assegurada no Centro Hospitalar de São João, com pediatras de vários hospitais. Estes médicos já apelaram à sua administração, a direcção clínica da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, para que reúna melhores condições. Em resposta, a unidade de saúde garante que "cumpre rigorosamente o que foi estabelecido” no que “se refere ao número e caracterização dos médicos que prestam serviço na urgência pediátrica”.

Faro: enfermeiros pedem escusa de responsabilidade

Face a uma situação que descreveram no fim-de-semana como sendo de “caos” na urgência do Hospital de Faro, enfermeiros deste serviço dizem que não podem ser responsabilizados por "eventuais ou futuros acontecimentos dos quais resultem consequências nocivas" para os utentes ou familiares. As denúncias constam de um comunicado enviado à administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, que, em resposta, admitiu a existência de “situações pontuais de maior afluência”. O que não é "anormal" nesta época do ano, disse o presidente, Paulo Morgado.

Os enfermeiros dizem que contam “uma média de utentes muitas vezes superior a 60 podendo inclusive ultrapassar os 80 doentes numa sala com capacidade para 24”. E, nestes casos, “o rácio de enfermeiros nunca é ajustado”.

No domingo, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, partilhou no Facebook o dito comunicado e uma publicação em que mostra algumas fotografias do aparente “caos" na urgência. Paulo Morgado diz que o organismo "não se revê” naquelas imagens.

Lisboa: Santa Marta sem urgência vascular no fim-de-semana

O Hospital de Santa Marta esteve, no fim-de-semana, sem serviço de urgência externa de angiologia e cirurgia vascular, porque os profissionais deste serviço tiveram que ir reforçar a urgência geral do Hospital de São José de modo a que esta tivesse capacidade para responder aos doentes com patologia vascular que ali acorressem. Resultado: os doentes que normalmente iriam para Santa Marta, pertencente ao Centro Hospitalar Lisboa Central, acabaram por ser encaminhados para outros hospitais. Cinco dos quais foram para Santa Maria, hospital do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

O gabinete de comunicação do Centro Hospitalar Lisboa Central justificou que houve a necessidade de fortalecer “a capacidade de resposta” no São José, “polo relevante da Urgência Metropolitana de Lisboa”, onde haveria falta de especialistas nesta área.

Região Centro: frota da ARS parada por falta de seguro

Os veículos da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro estiveram parados por falta de seguro. A ARS diz que o problema já foi resolvido, mas não indica o número de dias em que os carros, usados nos tratamentos domiciliários, estiveram na garagem. Para Carlos Cortes, presidente da Secção Centro da Ordem dos Médicos, “o que aconteceu nestes primeiros dias do mês não é admissível numa instituição com esta responsabilidade”. 

Como alternativa, descreveu Cortes, terá sido indicada a utilização de transporte próprio e de táxis. À Ordem foi reportado que “material contaminado (que teria como destino centros de descontaminação) andou a ser transportado por táxis”. “Do ponto de vista de saúde pública é grave”, apontou o representante dos médicos do Centro.

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