Frota da ARS Centro parada por falta de seguro. Médicos dizem que é inadmissível

Instituição pública já veio dizer que o assunto está resolvido. Ordem diz que foram utilizados viaturas pessoais e táxis como alternativa.

Rui Gaudêncio
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Rui Gaudêncio

O episódio dos veículos da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro na garagem por falta de seguro motivou críticas por parte dos médicos da região. “O que aconteceu nestes primeiros dias do mês não é admissível numa instituição com esta responsabilidade”, afirma o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM), Carlos Cortes, ao PÚBLICO. O responsável entende que esta situação põe em risco a saúde dos doentes. 

Cortes refere que a frota estava sem seguro desde 1 de Janeiro, mas que os centros de saúde apenas terão sido foram notificados a 5 de Janeiro, dia em que a sua circulação foi suspensa. Como alternativa, terá sido indicada a utilização de transporte próprio e de táxis, descreve. Foi através destes meios que os tratamentos domiciliários chegaram aos utentes, mas a situação é mais grave que isso, assegura. Isto porque foi reportado à SRCOM que “material contaminado (que teria como destino centros de descontaminação) andou a ser transportado por táxis. Do ponto de vista de saúde pública é grave”, aponta o representante dos médicos do Centro. 

O problema registou-se em Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) de toda a região, algo que tinha já sido reportado pelo Sindicato Independente dos Médicos. Há seis ACES sob a alçada daquela ARS (Baixo Vouga, Dão Lafões, Baixo Mondego, Pinhal Interior Norte, Pinhal Litoral e Cova da Beira. Estes agrupamentos abarcam cidades como Aveiro, Coimbra, Covilhã, Figueira da Foz, Leiria e Viseu.  

ARS diz que o problema já foi resolvido

O PÚBLICO tentou sem sucesso contactar a ARS Centro. No entanto, o instituto público assegurou à Agência Lusa na terça-feira que o problema se tinha verificado, mas que já tinha sido resolvido, sem indicar os dias. Em comunicado, a entidade presidida por Rosa Reis Marques avançou ainda que a sua frota automóvel já “se encontra dotada do respectivo seguro”. 

Carlos Cortes lembra que a organização do sistema de saúde na Região Centro depende desta entidade e que, “quando esta ARS não sabe tratar do concurso para a adjudicação de seguros dos seus automóveis, paralisando todo um ACES por causa disso”, ficam “muitas duvidas” sobre a “capacidade para tratar dos doentes e dos utentes”. 

Sobre a contratação de seguros, a ARS sublinha que este processo foi “aberto ainda em 2017”, tendo no entanto ficado “sem efeito”, uma vez que “todas as propostas apresentadas foram excluídas”. Foi aberto um novo concurso. A entidade garante ainda que “providenciou o recurso a meios de transporte alternativos”.